Capítulo 107 — Pensei ou falei
Taylor Laurent
Dominic me deixou com as meninas para poder ter a “tal conversa” com seus amigos, eu já tinha tido uma conexão com a Jen, e com as outras meninas foi instantânea também. Eu não tenho amigos, nunca tive, tenho colegas de sobrevivência porque em South Bronx não se vive… se sobrevive.
Quando os caras apareceram eu não podia ficar parada, na verdade não agir, nem mesmo faz parte de quem eu sou. As ajudei na esperança de impedir que fossem pegas, mas então surgiu um puta problema, e fui pega no lugar delas.
No caminho reconheci para onde estávamos indo, e que merda é essa? Era a mim que eles queriam o tempo todo? Não. Tropeço não gastaria grana, e tempo comigo, tudo bem que sou rentável os idiotas por aqui adoram as difíceis e eu sou uma delas. Só que conheço o babaca que me criou e “time is money”, e uma operação pra me buscar demanda seu tempo que vale ouro.
Quando vi o Adam, vi a chance, peguei o celular dele e dei as instruções a Sammy. Assim que a oportunidade surgiu: “Vai, e não olha pra trás.” Foram minhas palavras pra ela, antes de fechar a porta e enfrentar aquilo que já estou acostumada.
— Qual é o seu problema, estrelinha? — Adam perguntou ainda gemendo pelo meu chute certeiro.
Caminhei até ele sem dizer nada, estiquei minhas mãos.
— Só precisava tirar minha amiga daqui.
— Tropeço vai ficar uma fera, e aquelas babacas. — ele apontou para a porta. — Vão vir com tudo pra cima de você.
— Eu dou conta. — respondi, dando os ombros.
Adam se ajeitou e parou bem na minha frente.
— Esse é o problema, Taylor, quando eles perceberem que você dá conta. Não vão parar, isso só vai instigá-los.
— Adam, eu tô de boa e você também devia ficar. — estiquei os braços pra ele de novo. — Agora me amarra para que o problema não se vire contra você também.
— Porra, você é tão teimosa.
— Se já sabe disso, porque não poupa seu tempo e o meu? — perguntei, arqueando uma das sobrancelhas.
Adam levou a mão até meu rosto, e passou o polegar em minha bochecha com carinho. Ele fez isso uma vez, há muitos anos, demonstrou afeto por mim… mas Tropeço viu e deu uma surra em nós dois.
O irmão dele não podia ser amigo, e muito menos se envolver com uma garota de programa, disse ele ná época. Depois disso Adam se afastou, e a única pessoa que pensei que poderia ser minha amiga um dia… me abandonou.
— O que está fazendo? — perguntei, seca o encarando.
— Me diz… quem são essas pessoas? Quem era o cara que estava aqui com você na noite passada? Meu irmão tem fotos suas com ele, fotos suas em Manhattan.
Afastei a mão dele de mim.
— Ele é meu amigo.
— E o grandão? Vi você com ele hoje.
— Dominic é… — eu não podia falar que ele era meu namorado. Adam vai contar para o Tropeço, que vai tentar prejudicá-lo. — Um amigo, todos eles.
— E a história da rapidinha? Tropeço realmente acreditou que você tem alguma coisa com o cara.
— Mas não tenho, precisava de uma desculpa para seu irmão me deixar. E eu teria conseguido ficar longe daqui se você. — bati com o dedo em seu peito. — Não tivesse me trazido de volta.
— Eu só estava cumprindo ordens. Era para ter pego as cinco, o seu “amigo” — ele fez aspas no ar, mostrando que não acredita que Declan e eu fossemos só amigos. — Tem problemas com os caras que meu irmão tá negociando, e com o cretino do Snake. Se você não tivesse ficado com ele ontem à noite, não estaria em apuros agora.
— Ah, claro que não, teria acabado mais uma noite “de trabalho” — foi a minha vez de fazer as aspas. — Ido pro muquifo que chamava de casa, descansado porra nenhuma porque moro com umas tagarela do caralho, depois voltado hoje à noite para mais um dia de velhos escrotos, e usuários cretinos. Isso nem parece estar em apuros pra você, né, Adam?
— Estrelinha… — ele começou, mas ouvimos um barulho no corredor.
— Será que eles pegaram a Sammy? — perguntei preocupada.
— Vou te amarrar para não ter mais problemas e vou lá dar uma olhada. — revirei os olhos e estiquei as mãos, ele me amarrou e me mandou sentar na cama. — É sério, Taylor, tô tentando te tirar dessa confusão, então só me ouve, ok?
Ele foi saindo, mas antes que atravessasse a porta.
— Adam, por favor… deixa ela ir.
Ele passou a mão nos cabelos castanhos, e me olhou com os olhos verdes.
— Não depende de mim, estrelinha, mas se me prometer não fugir mais, se eu a encontrar primeiro… — ele travou os olhos nos meus. — Eu a ajudo a escapar.
Mordi os lábios, eu não costumo quebrar promessas… mas tinha o Dominic, e minha chance de uma vida diferente. Mas Sammy também precisa de uma chance, ela não pertence a esse lugar.
— Ok, se você a ajudar… prometo nunca mais ir embora.
O sorriso que Adam deu se fosse uma luz, iluminava o mundo.
— Vou dar o meu melhor, estrelinha. — e com essas últimas palavras, ele saiu.
Passaram alguns minutos, a porta abriu com tudo e o maldito que tinha me batido entrou com os outros dois e com Adam logo atrás.
— Ela fugiu, e a culpa é de vocês. — ele falou pro Adam que veio direto ao meu lado.
— Eu estava amarrando a Taylor quando ela correu, e foi vocês quem a perderam, não eu! — Adam retrucou irritado. E eu sorri, Sammy fez o que falei, a essas horas ela já deve ter ligado para o Dominic.
— Tá rindo do que, sua vadia? — o homem me perguntou.
— Dá sua cara de palhaço, alguém já te disse isso? Que ganharia uma grana em um picadeiro? — falei com deboche. Ele avançou em mim, mas Adam o parou.
— Fica longe dela, eu te disse antes, se tocar nela… — ele estufou o peito. — Eu te mato!
— Interessante… — o babaca começou. — Você curte a vadia. — Adam não respondeu, e também não saiu da minha frente. Ele era maior que o cara, e aparentemente mais forte, mas ainda estava em desvantagem. Não ia deixar ele se ferrar por me defender.
— Adam… — eu comecei, mas ela levantou a mão para que eu me calasse.
— Saí da frente, Adam. — o homem mandou.
— Não, e te desafio a tentar me tirar, Brian. — ele disse o nome do babaca com desdém.

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