"Júlia"
Romeo, no dia seguinte, quis ir para o quarto dele. Disse que não suportava o quarto hospitalar, que, mesmo sendo um espaço dentro da residência, ainda parecia um hospital.
Concordei e o ajudei a se instalar no quarto — o que, na verdade, ajudava com o meu plano.
Aproximei-me da cama com calma, controlando cada expressão. Ele precisava ver o de sempre, lealdade, dedicação… amor.
— O importante é que você já está bem melhor — falei, suave. — E agora precisa descansar.
Ele assentiu, mas os olhos não paravam quietos. Observando. Pensando. Nem perguntou da minha gravidez, mal-humorado, querendo apenas voltar ao ritmo normal.
— E o Viktor? — perguntou mais uma vez.
— Não sei, amor, ele não voltou ainda.
— Chama o Igor — ele ordenou, seco. Era assim que falava comigo desde que acordou.
— Claro.
Igor era um cara alto, parecia um armário. Eu não tinha muita certeza da função dele, mas ficava do lado de fora, com os seguranças, e sempre estava falando com Viktor. Nunca tinha trocado mais que um bom-dia com ele.
O homem não olhou na minha cara e foi direto para o quarto de Romeo. Conversaram por um tempo — eu já imaginava o assunto, o sumiço misterioso de Viktor. Eu tinha que agir rápido.
Quando Igor saiu, e ficamos sozinhos, peguei o rémedio dele, dois comprimidos e um copo de água.
— Você precisa tomar isso — falei, com naturalidade. — Vai ajudar.
Ele não questionou, já estava tomando diversos remédios. Observei enquanto ele levava o copo à boca, bebendo sem hesitar, sem reclamar do gosto, nem nada, bebeu tudo de uma vez.
Coloquei o copo de volta no lugar, ajeitando a bandeja como se aquilo fosse apenas mais um gesto de cuidado.
— Descansa, você não pode ficar agitado assim, não faz bem — murmurei.
Ele assentiu, mas já parecia distante. O corpo entendendo antes da mente. O rémedio era um sedativo, com outro rémedio e mais uma coisinha misturada na água, Romeo tentou dizer algo, mas as palavras não vieram. Ele apertou o peito com a mão.
— Meu Deus, o que está acontecendo? — gritei. — Romeo, fala comigo, o que você está sentindo?
Os olhos encontraram os meus. Ele entendia, mas não conseguia falar, tarde demais.
Não fiquei para assistir ao fim. Saí correndo, pedindo socorro. A enfermeira, que estava almoçando, veio correndo, e mais pessoas também — mas eu sabia era tarde demais.
Ela tentou reanimá-lo, ligou para o médico. Os empregados ajudaram a levá-lo de volta para a ala hospitalar da casa, onde tentaram de tudo, mas Romeo estava morto.
Desci pelo corredor oposto, misturando-me ao movimento dos empregados que começavam a fugir. Alguns tentavam apagar o fogo, outros simplesmente corriam. Todo mundo sabia que, se a polícia ou os bombeiros chegassem, descobririam rápido que aquilo era um esconderijo cheio de segredos.
Saí pelos fundos, sem chamar atenção, como se fosse apenas mais uma entre tantos. Ninguém me parou. Ninguém percebeu.
Do lado de fora, o ar estava frio e calmo. Atrás de mim, a mansão começava a arder de verdade. Havia até um rastro de fumaça subindo para o céu.
Romeo morto. Viktor morto. Era isso.
Tinha deixado o carro em outra rua, bem longe, e caminhei até lá devagar. Já tinha preparado uma malinha com algumas coisas — joias que tinha ganhado de Romeo, valiosas. Observei de longe o movimento, o som dos bombeiros ao longe, e a polícia afastando todos. Tinha certeza de que, quando chegassem, o lugar estaria vazio.
E então perceberiam o que era aquele lugar. Encontrariam Romeo.
Dirigi o mais rápido possível. Minha mãe tinha viajado com o meu filho, nem estava no estado. Sem poder ir para a casa dela, fui para longe. Precisava elaborar agora uma forma de fugir do país, pegar meu filho e desaparecer. Agora eu tinha dinheiro para uma vida inteira.
Mas, para isso, precisava de ajuda. E, como já frequentava o Red Rose, teria que voltar lá, fazer a viúva coitada, essa noticia se espalharia rápido, além disso não seria difícil arrumar outro homem disposto a me ajudar.
Lembrei de César. Eu tinha feito um favor para ele — eliminado Romeo da vida dele. César deveria me agradecer… mas ele estava com Camila. Eu tinha que fugir.
Ainda faltava o castigo deles. Eu não poderia ir embora assim, deixando os dois felizes, Camila tinha que me pagar pela cabeçada, pela dor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...