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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 323

"Isabella"

O dia estava impecável. Um sol generoso dourava as folhas das árvores e fazia a água do lago brilhar sob a luz da tarde. Olhando ao redor, senti o peito se encher de uma mistura intensa de nostalgia e gratidão. Parecia que tinha sido ontem que a minha própria jornada havia começado, cercada de traições, tempestades e incertezas.

E agora, com menos colágeno e alguns fios de cabelo branco, eu observava meus filhos adultos iniciando as próprias jornadas, ainda sem acreditar em como o tempo havia passado tão rápido.

A chácara estava lotada para o aniversário de Emma. Camila e César não haviam poupado esforços para celebrar os dezoito anos da filha mais velha. Minha prima estava radiante, linda, cumprimentando os dezenas de amigos da filha com um sorriso orgulhoso no rosto.

— Se estiver pensando em fugir, acho uma ótima ideia — a voz profunda de Augusto soou ao meu ouvido, enquanto suas mãos firmes pousavam na minha cintura, puxando-me para perto. — Estou me sentindo um velho gagá no meio de tantos jovens.

Virei o rosto de leve e encontrei o olhar do homem que, mesmo com o passar dos anos e os fios grisalhos começando a surgir nas têmporas, continuava absurdamente lindo e charmoso.

— Só estava pensando no tempo — respondi, encostando a cabeça em seu ombro. — Passou tão rápido… Em um momento eram apenas crianças correndo pela casa, e agora todos estão adultos. A Valentina, por exemplo… quem diria que a veríamos segurando o primeiro filho no colo? Parece que foi ontem que éramos nós trocando fraldas e passando noites em claro.

Augusto soltou uma risada baixa e beijou o topo da minha cabeça.

— Nem me fale. Já avisei à Victória que ela ainda é muito nova para namorar.

— Pelo amor de Deus, Augusto, ela já é uma mulher. Trabalha com você, inclusive.

— E daí? Continua sendo nova, depois dos trinta ela pode pensar.

Ri do desespero dele. Victória era o xodó do pai: nossa única menina, doce, leve e cheia de vida. Mas, inevitavelmente, um dia ela também encontraria alguém, se apaixonaria, construiria uma família… e Augusto provavelmente surtaria.

Antes que eu pudesse responder, o clima leve foi interrompido por passos apressados na grama. Viramos ao mesmo tempo e vimos Emma correndo em nossa direção. O vestido amarelo curto esvoaçava conforme ela corria, já um pouco amassado, enquanto as bochechas coradas carregavam o brilho recente das lágrimas. Na mesma hora, soube que vinha problema pela frente.

— Tia Isabella! — ela chamou, entre soluços.

— Emma, querida, o que aconteceu? — afastei-me de Augusto imediatamente, abrindo os braços para acolhê-la.

Emma praticamente se jogou contra mim, escondendo o rosto no meu pescoço enquanto chorava alto. Acariciei seus cabelos e, por cima do ombro dela, procurei entender o motivo de tanto desespero. No fundo do jardim, perto da cerca viva, encontrei a figura do meu filho, Guto — batizado como Augusto Filho, embora ninguém nunca o chamasse assim. Ele estava com as mãos nos bolsos da calça jeans e uma expressão que misturava tédio e arrependimento enquanto encarava o portão da chácara.

— Foi o Guto, tia! Ele é um monstro! Um sem-vergonha! — Emma disparou entre lágrimas, afastando-se um pouco para me olhar com os olhos vermelhos de indignação. — Ele estava ficando com a Larissa, minha melhor amiga, escondido de todo mundo! E ele traiu ela aqui, com outra amiga minha, no meio da minha festa. A Lari foi embora chorando! Eu falei para ele ficar longe das minhas amigas, mas ele não presta. Quero ele fora daqui!

Respirei fundo, sentindo o sangue subir. A mão de Augusto pousou no meu ombro, tentando me acalmar, mas a verdade era que minha paciência com a irresponsabilidade do Guto estava chegando ao limite. Ele tinha a mesma idade de Emma, mas parecia ter a maturidade de um garoto de quinze anos. E, infelizmente, aquilo me lembrava demais o pai dele na juventude.

— Calma, meu amor. Eu vou resolver isso — falei, enxugando uma lágrima do rosto dela com o polegar. — Vá ficar perto da sua mãe, tome um copo d’água e tente se acalmar, é a sua festa hoje. Eu prometo que o Guto vai aprender uma lição hoje.

Emma assentiu, ainda fungando, e caminhou em direção à outra parte do jardim, onde Camila e César conversavam com alguns convidados.

Assim que ela se afastou, virei-me lentamente para Augusto. Cruzei os braços e arqueei uma sobrancelha, adotando a postura que ele conhecia muito bem.

— Está vendo isso, Augusto? — enfatizei o nome dele de propósito. — O seu filho é um sem-vergonha. Exatamente como o pai dele era quando jovem. Um cafajeste de primeira categoria, não tem nem consideração pela prima.

Augusto ergueu as mãos em rendição, embora um sorriso provocativo ainda brincasse no canto de seus lábios.

— Ei, calma. Eu vou conversar com ele. E eu mudei, não mudei? Uma hora o Guto vai conhecer alguém de verdade e vai sossegar também.

— O problema é que ele está passando dos limites. Magoou a melhor amiga da prima, estragou o momento da Emma e pelo que conheço do meu filho ele nem vai se importar. Quero que você converse seriamente com ele. E nada de passar pano com papo de “homem para homem”. Quero que ele entenda que mulheres não são brinquedos.

O sorriso de Augusto desapareceu aos poucos, dando lugar à expressão séria de pai.

— Tudo bem. Você está certa. Hoje ele passou dos limites — admitiu, olhando para o garoto ao longe. — Mas você sabe como é essa idade, Isa… Um dia ele vai se apaixonar de verdade, como eu me apaixonei por você. E aí vai entender tudo.

— Vá logo antes que eu mesma vá lá puxar aquele menino pela orelha na frente de todo mundo e acredite vai ser bem pior.

Observei enquanto Augusto caminhava até o nosso filho. O reflexo entre os dois era impressionante: o mesmo jeito confiante de andar, a postura reta, os cabelos escuros. Quando ele colocou a mão no ombro de Guto e o conduziu até uma área mais reservada, perto do pomar, sabia que podia confiar em Augusto para ter uma conversa de verdade com o filho.

Resolvi me afastar um pouco e caminhar pela chácara para aliviar o estresse.

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