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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 322

"Iris"

As semanas viraram meses e os meses se transformaram em anos. A desconfiança do meu pai não sumiu da noite para o dia, mas se transformou em uma vigilância silenciosa e, gradualmente, em respeito.

O ponto de virada aconteceu em um domingo de chuva torrencial. O telhado velho do estoque da confeitaria começou a ceder sob o volume da água, ameaçando inundar toda a nossa reserva de insumos. Antes mesmo que meu pai pudesse entrar em pânico, Viktor apareceu. Ele passou duas horas debaixo de chuva forte, equilibrando-se nas telhas escorregadias para improvisar uma cobertura de lona e reforçar as vigas de madeira.

Quando desceu, encharcado e trêmulo de frio, meu pai não disse nada; apenas estendeu-lhe uma toalha limpa e uma caneca do seu café mais forte. Pela primeira vez, os dois se sentaram à mesa sem o fantasma da tensão entre eles. Era a trégua virando rotina.

Enquanto isso, aprendemos a ter um relacionamento normal. Coisas simples, que para qualquer casal seriam banais, para nós pareciam milagres diários: caminhar de mãos dadas na orla sem olhar para trás a cada cinco minutos, tomar sorvete na praça central da cidade, rir de bobagens assistidas na televisão.

Eu me apaixonava a cada dia e cerca de seis meses após sua chegada, Viktor usou as economias que vinha guardando com o trabalho duro na oficina e conseguiu comprar uma casinha pequena, mas charmosa, a apenas duas quadras da praia e perto da minha antiga casa. Nos meses seguintes, levamos a vida com um dia de cada vez, sem acelerar o futuro, aproveitando cada momento para transformar aquele lugar no nosso lar. Passamos dias inteiros pintando as paredes, reformando e montando móveis juntos.

— Essa parede ficou bonita, mas meio sem graça — brinquei em uma tarde de sábado, sentada no chão sobre uma lona protetora, segurando o rolo de pintura. — E se a gente comprasse uns quadros, um espelho...?

Viktor deu risada da minha sugestão, limpando o suor da testa com as costas da mão suja de poeira.

— Acho que vou deixar a parte de decoração por sua conta. Pode fazer o que quiser com as paredes — ele disse, com um brilho leve no olhar.

— Vou pensar em alguma coisa legal e bonita.

Ele riu de novo, um som grave e livre que vibrou no meu peito. Aproximou-se com passos calmos, segurou minha cintura e me puxou para perto.

— Na verdade, se você quiser, pode ser a sua casa também. Pode decorar cada uma dessas paredes do jeito que quiser.

— Está me pedindo para morar com você? — perguntei, olhando bem no fundo dos seus olhos. Já tinha se passado mais de um ano desde que ele tinha voltado e, de fato, eu já dormia mais na cama dele do que na minha.

— Você já quase mora aqui — ele admitiu, colando sua testa na minha com uma vulnerabilidade que sempre me desarmava. — Acho que podemos facilitar as coisas... Eu sinto saudades quando você vai embora.

A mudança definitiva se tornou inevitável. Juntei minhas malas na casa do meu pai — que apenas assentiu com um olhar cúmplice e protetor — e me mudei de vez.

Alguns meses depois, em uma noite quente de sexta-feira, estávamos deitados na varanda da nossa casinha. O céu estava limpo, salpicado de estrelas, e o som do mar quebrava compassado logo ali na frente. Dividíamos uma garrafa de vinho tinto, sentados em duas cadeiras de praia improvisadas.

Viktor me puxou para o seu peito, envolvendo-me em seus braços largos. Seus dedos começaram a traçar círculos suaves e preguiçosos nas minhas costas.

— Eu te amo — ele sussurrou perto do meu ouvido, sua voz misturando-se ao barulho da brisa.

— Eu também te amo — respondi, ajustando minha cabeça no encaixe perfeito do seu ombro, sentindo-me a pessoa mais segura do mundo.

De repente, senti uma alteração na respiração dele. Seu peito subiu e desceu de forma mais pesada. Virei-me um pouco, apoiando o queixo em seu peito para conseguir olhar diretamente em seus olhos castanhos. Podia ver que havia alguma coisa errada; ele parecia ansioso, uma expressão rara para alguém com o controle emocional dele.

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