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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 297

"César"

— Agora que o mundo inteiro sabe que vamos casar, tem uma coisa que eu queria te falar.

Camila estava sentada na beira da cama quando entrei no quarto. O celular ainda estava em sua mão, a tela apagada, mas os olhos dela pareciam distantes, provavelmente repassando a repercussão da postagem. Ela me olhou com uma ponta de ansiedade.

— É algo grave? — perguntou.

— Não, claro que não.

— Então não faz essa cara séria. Quando você pede para "conversar", parece que vem outra desgraça pelo caminho.

— Pelo contrário. É sobre nós dois — respondi, aproximando-me. — Eu fui falar com o Augusto.

Camila arqueou a sobrancelha, e soltou uma risada divertida.

— Isso me lembra que a Isabella ficou magoada, tive que ouvir um monte...Não queria fazer isso com a minha prima, devia ter falado com ela antes.

— Posso imaginar, o Augusto também me deu uma bronca, fui falar com ela para contar tudo. E agora ele quer montar um esquema de segurança digno de um casamento real.

— Espero que até lá aquela vagabunda esteja atrás das grades— ela murmurou, passando a mão pelos cabelos com uma expressão cansada. — Não quero casar rodeada de guarda-costas e claro ninguém quer ser o próximo alvo da Júlia, mas isso é demais.

Fiquei em silêncio por um instante, observando-a. Me sentei ao lado dela e segurei sua mão entre as minhas, sem entender como tínhamos ficado tanto tempo distantes.

— Estou pensando em uma coisa... Agora que estamos oficialmente noivos, acho que poderíamos dar o próximo passo. Se você concordar, claro. Mas sinto que já perdemos tempo demais...

Camila me encarou, os olhos castanhos fixos nos meus, processando as palavras.

— César... Fala logo.

— Quer morar comigo?

O silêncio dela não foi de rejeição, mas de choque.

— Agora? Já? Não é muito cedo?

— Pode ser, eu vou entender se você achar muito cedo, mas não faz sentido ficarmos separados depois de tudo.

Ela desviou o olhar para a janela, pensativa.

— Eu também sinto que perdemos tempo... mas não sei, não posso deixar minha mãe sozinha. Ainda mais agora, com o Heitor. Ela divide o peso com a Isabella, mas desde que a Karen foi embora minha mãe ficou mais apegada a ele, só de pensar na possibilidade eu sinto como estivesse abandonando ela, e no momento não sei se sou capaz de ir embora de casa..

— Eu não ia pedir para você abandoná-la, jamais pediria isso para você— interrompi suavemente. — Na verdade, pensei que ela pudesse vir morar com a gente. Temos espaço de sobra, até para fazer um quartinho para o Heitor.

Camila me olhou com uma surpresa genuína, quase soltando uma risada incrédula.

— Você não conhece minha mãe o suficiente para achar que isso funcionaria. Ela é uma pessoa ótima, não seria a sogra má, mas ela é apegada demais às coisas dela, à casa dela... como eu disse, não sei se ela aceitaria mudar de vida assim, se mudar para casa de uma pessoa que mal conhece.

— Já que estamos aqui, discutindo nossos grandes planos e eu nem te perguntei... a Isabella quer saber a data do casamento, eu disse que não tínhamos uma ainda, ela não acreditou muito, você tem alguma ideia?

Pousei minhas mãos em seus ombros, sentindo a tensão sob o tecido da sua blusa, e comecei uma massagem leve.

— Por mim — murmurei perto do seu ouvido — casaríamos na semana que vem.

Camila soltou uma risadinha, inclinando a cabeça para trás para me olhar.

— Não podemos fazer isso com as pessoas, César. Um ano é um tempo bom para organizar tudo.

— Seis meses é um tempo ótimo — corrigi, descendo uma das mãos para segurar a dela, entrelaçando nossos dedos. — O Augusto conseguiu organizar um casamento completo em três meses, lembra?

— Seis meses então... — ela cedeu, pensativa. — Vou pedir para a minha prima organizar, ela vai adorar.

Camila pegou o celular com a mão livre. Eu a observei em silêncio. Em poucos segundos, ela selecionou uma foto genérica de um véu e digitou a legenda: “Em seis meses, a nova Senhora Salvatore”.

Envolvi-a em um abraço por trás, apoiando meu queixo em seu ombro para ver a tela junto com ela. Observei o movimento frenético dos dedos dela, a urgência em postar. Eu sabia exatamente o que ela estava fazendo. Não era apenas empolgação, Camila estava mais uma vez jogando a isca.

Dei um beijo terno na curva do seu pescoço, sentindo o cheiro da pele dela, antes de sussurrar.

— Vai ser um dia perfeito, eu sei disso, não vai acontecer nada.

Ela travou por um segundo, o dedo pairando sobre a tela, e finalmente relaxou o corpo contra o meu.

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