"Nicole"
O celular vibrava na mão de Viktor pela terceira vez e, mais uma vez, a ligação caiu sem resposta. Ele ficou olhando para a tela por alguns segundos, como se aquilo, por si só, fosse mudar alguma coisa. Mas não mudou.
Ele tinha acordado e insistido em fazer uma ligação, mas o celular dele provavelmente tinha caído na rua, porque a unica coisa que eu tinha era apenas a carteira, logo tive que emprestar o meu.
Fiquei ali ao lado da cama, percebendo a expressão de preocupação dele, a cada ligação não atendida.
— Você vai continuar insistindo nisso? — perguntei, um tanto curiosa para saber para quem estava ligando.
Viktor não respondeu de imediato. Apenas tentou ligar de novo. Nada.
Quem era Viktor, afinal?
Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, tentando disfarçar a careta de dor. Ainda não estava bem; qualquer movimento mais brusco lembrava disso. Mas não era a dor que o incomodava naquele momento.
— Seja lá quem for, pode estar ocupado — insisti, cruzando os braços. — Ou sem sinal. Ou, sei lá, vivendo a própria vida.
— Não — Viktor respondeu, seco. — Tem alguma coisa errada.
Viktor finalmente baixou o celular, apoiando-o sobre a perna. O olhar estava distante, calculando, como se reorganizasse peças invisíveis.
— Alguém sempre atende — continuou ele, mais baixo. — Sempre atende. Preciso sair daqui.
Ele tentou se levantar e colocou as pernas para fora da cama. Ficou mais pálido e sentiu dor.
— Duvido que você vá chegar a algum lugar assim — fiquei olhando, sem ajudar. Eu só precisava de algumas respostas, mas ele estava dificultando.
Ele ficou de pé, respirou fundo. Usando a bata do hospital, não parecia nem um pouco ameaçador, mas estava mais forte do que antes.
— Onde estão as minhas roupas?
— No lixo. Rasgaram para te atender, fora que estavam sujas de sangue.
— Como é? — ele perguntou, bravo.
— Mas sobrou sua jaqueta — falei, apontando para um canto onde a tinha deixado.
Ele bufou e foi até ela, quase se arrastando.
— O médico não vai te dar alta, você não aguenta nem ficar em pé.
— Não importa, não preciso de autorização.
Eu não era babá de um homem adulto, que eu mal conhecia ainda por cima. Deixei que se virasse, e Viktor saiu porta afora. Discutiu com a enfermeira, depois com o médico, até conseguir assinar um documento assumindo a responsabilidade por sair do hospital sem recomendação médica.
E ainda deu um dinheiro para conseguir uma roupa, que na verdade era um uniforme da enfermaria. Ele tinha conseguido a alta, e eu não tinha conseguido nenhuma resposta, tudo que sabia era que alguém tinha pedido minha cabeça para ele.
Sem opção, corri atrás dele. Não podia deixar que fosse assim.
— Espera, eu te levo, seja lá para onde for.
— Não. Obrigado por ter me salvado, mas acaba aqui.
— Nem pensar — eu disse, entrando na frente dele. Ele era maior, mas ainda estava fraco e com dor. — Você não vai embora assim, ainda não me disse nada.
— Nem vou dizer.
— Não! — disse em alto e bom som, com a mão no peito dele, impedindo-o de ir. Ele quase gritou de dor e deu um suspiro. — Eu preciso de respostas, e você é o mais próximo que consegui até agora. Não vai conseguir se livrar de mim assim tão fácil. Eu vi você conversando com as meninas no Red Rose. Você é um deles, alicia as mulheres para trabalhar fora, engana, mente… nem quero pensar. Mas espero que tenha alguma humanidade dentro de você. Eu só preciso de uma resposta, uma luz, e vou embora, sumo da sua vida.
Ele pegou na minha mão, mas não a afastou; apenas se segurou em mim. Parecia prestes a desmaiar.
— Vou ver o que aconteceu. Fica quieto aí.
Saí do carro e comecei a andar pelo local. Me aproximei. Tudo aquilo era para uma das mansões. Junto com os curiosos, consegui ver pelo portão aberto o lugar enorme. Tinha acontecido um incêndio, que já havia sido controlado. Do lado de fora, não dava para ver muita coisa, apenas o movimento.
— Que casa linda. O que houve? — perguntei para uma pessoa ao meu lado.
— Linda, né? Conversei com uma mulher que trabalha aí, e ela disse que pegou fogo em um dos quartos, mas não se espalhou. Chegou ambulância, polícia… depois não vi mais a mulher, mas acho que alguém morreu. Tá um burburinho. E foram chegando mais policiais… tudo isso para um incêndio. Ficou esquisito. Mas que a casa é linda, é.
A mulher falou sem parar. Outras pessoas comentaram, e fiquei olhando por um tempo. O consenso era que alguém tinha morrido e havia ocorrido um incêndio. Voltei para o carro.
— Uma das casas teve um incêndio, e parece que alguém morreu, não dá para ver nada.
— Qual casa?
— Uma com um portão gigante verde. Uma casa linda, parece um castelo, tinha uma porta vermelha, foi o máximo que consegui enxergar da casa.
— Filha da puta… eu vou matar aquela desgraçada — ele xingou. — O que mais você viu?
— Muita polícia. O povo disse que foram chegando mais carros de polícia, mesmo depois do incêndio ter sido controlado.
Viktor não disse nada. Ficou ali, pensando. Pelo xingamento, julguei que não tinham só tentado matar ele, a mulher tinha destruido tudo.
— Não podemos ficar aqui — liguei o carro, dei meia-volta e me afastei do lugar. — Vamos para a minha casa.
Viktor estava só o bagaço, por falta de expressão melhor. E descobri que o local que tinha pegado fogo o deixou mais abalado. Não discutiu ao ir para a minha casa.
Ajudei-o a sair do carro, levei-o até meu apartamento, que não era muito grande, e o deitei na minha cama. Me perguntei mais uma vez quem era Viktor. Eu tinha deduzido o que ele fazia, mas não quem era. Ele não negou que era bandido, e se alguém tinha pedido para me pegar, ele tinha obedecido e mandado a tal Júlia atrás de mim sem pensar duas vezes — e agora estava aqui, na minha cama.
Eu chegava à beira do abismo, mas, desde que conseguisse minha irmã, não me importava com mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...