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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 295

"César"

O telefone tocou antes mesmo de eu terminar o café. Olhei para a tela e já senti a ansiedade antes de atender. José, atendi na hora, esperando boas noticias.

— Fala.

— Precisamos conversar. Você e a Camila podem vir à delegacia? — a voz dele veio direta, sem rodeios. — Aconteceu uma novidade… é sobre o Romeo.

Endireitei a postura na cadeira.

— O que aconteceu? — perguntei, já com pressa.

— Melhor conversarmos pessoalmente.

Entre buscar a Camila e chegar à delegacia, levamos menos de uma hora. José já nos esperava na porta da sala dele.

— A Júlia foi encontrada? — foi a primeira pergunta de Camila, que estava até mais ansiosa do que eu para saber quais eram as novidades.

— Não. Encontramos apenas o Romeo… na verdade, o corpo dele. Os bombeiros receberam uma chamada para uma casa em uma área nobre e, quando chegaram, encontraram o lugar vazio, e um corpo que foi identificado como sendo dele. O fogo atingiu só uma parte da casa, não houve grandes danos.

O silêncio que se seguiu foi pesado, não era bem o que eu esperava.

— Como ele morreu? — perguntei, já esperando que não fosse simples.

— Ainda não sabemos ao certo — respondeu José. — Estamos investigando o que aconteceu na casa. À primeira vista, não há nada que indique a causa da morte.

— Duvido que ele tenha simplesmente caído morto e que a casa tenha pegado fogo do nada. — Era uma história sem pé nem cabeça.

— De fato não parece — disse ele, mais baixo. — O fogo começou em dois pontos diferentes da casa, mas como disse ainda estamos investigando.

Dois pontos. Aquilo praticamente respondia sozinho, mas ainda assim, se fosse para destruir as provas a casa toda deveria ter pegado fogo.

Olhei para Camila. Ela não parecia nem um pouco satisfeita — principalmente por Júlia ainda não ter sido encontrada. Passei a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.

— E a Júlia? Alguma pista?

— Continua desaparecida. Como eu disse, quando os bombeiros chegaram, a casa estava vazia. A polícia conseguiu interceptar alguns empregados. O lugar era um esconderijo bem estruturado , tinha até uma ala hospitalar equipada. Acreditamos que eles estavam lá desde o sequestro… incluindo a Júlia. Ainda estamos confirmando se os itens encontrados pertencem a ela.

Claro que tinha fugido, o problema era que quando ficava sem saída, Júlia sempre encontrava alguém para ajudar. Sabia se fazer de vítima como ninguém.

— A morte foi recente, praticamente no momento do incêndio — continuou José. — Ou ela fugiu naquele instante… ou já saiu do país. Ainda é cedo para afirmar. Mas encontramos documentos falsos, além de outras evidências ligadas à organização criminosa do Romeo, o lugar funcionava como base.

Apertei o maxilar, frustrado.

— Será que a mãe dela sabe de alguma coisa? Faz tempo que não falo com ela, as duas não se davam bem, mas em último caso é uma possibilidade.

— Está viajando. Mandamos alguém até a casa, mas estava vazia. Nenhum vizinho soube informar nada.

— Eu recomendo que vocês deixem a Júlia de lado por enquanto. Sem o Romeo, ela deve estar sozinha e fugindo. Obsessão não vai ajudar. Em algum momento, ela vai cometer um erro… mas também existe a chance de nunca mais aparecer. Vocês precisam seguir com a vida de vocês.

O conselho soou quase como uma desistência. Saí da sala com aquilo ecoando na cabeça.

Mas, do lado de fora, Camila encostada no carro, com o olhar duro, deixava claro que ela não pensava o mesmo e que era bom nem repetir o que José disse.

— Ela vai simplesmente escapar assim? — disse, irritada. — Eu me recuso a aceitar isso. Ela estava naquela casa… e, de novo, saiu debaixo do nariz da polícia. Que incompetência.

— Camila, se acalma...

— Não manda eu me acalmar — cortou. — Aquela mulher é perturbada. Mesmo que a gente não saiba onde ela está, eu tenho certeza de que ela sabe onde nós estamos e quer saber de uma coisa, já que ela está olhando… vou dar um presente para ela. Espero que esteja em um buraco escondida, remoendo a desgraça de vida que ela tem, só fico com pena do filho que não tem nada a ver com isso.

Antes que eu perguntasse o que ela pretendia fazer, Camila tirou o celular do bolso. Em poucos segundos, fez uma foto da própria mão, exibindo o anel de noivado. Depois outra, sorrindo e postou tudo.

— Pronto — disse, fria. — Dançar naquele puteiro não adiantou. Vamos ver se agora ela reage. Duvido que consiga dormir sabendo disso. E, se aparecer na minha frente… vai ser um prazer quebrar o nariz dela de novo.

Não discuti. Camila estava com raiva e decidida, aquilo não era só provocação. Era um convite claro. E, conhecendo Júlia… ela era capaz de cair sim na armadilha, e pelo olhar de Camila era exatamente isso que ela queria.

Mas a foto também expunha o noivado para toda a família. Não era a melhor forma de anunciar, mas, agora que tudo estava exposto, eu sabia qual era o próximo passo.

Estava na hora de procurar o meu irmão.

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