"César"
O telefone tocou antes mesmo de eu terminar o café. Olhei para a tela e já senti a ansiedade antes de atender. José, atendi na hora, esperando boas noticias.
— Fala.
— Precisamos conversar. Você e a Camila podem vir à delegacia? — a voz dele veio direta, sem rodeios. — Aconteceu uma novidade… é sobre o Romeo.
Endireitei a postura na cadeira.
— O que aconteceu? — perguntei, já com pressa.
— Melhor conversarmos pessoalmente.
Entre buscar a Camila e chegar à delegacia, levamos menos de uma hora. José já nos esperava na porta da sala dele.
— A Júlia foi encontrada? — foi a primeira pergunta de Camila, que estava até mais ansiosa do que eu para saber quais eram as novidades.
— Não. Encontramos apenas o Romeo… na verdade, o corpo dele. Os bombeiros receberam uma chamada para uma casa em uma área nobre e, quando chegaram, encontraram o lugar vazio, e um corpo que foi identificado como sendo dele. O fogo atingiu só uma parte da casa, não houve grandes danos.
O silêncio que se seguiu foi pesado, não era bem o que eu esperava.
— Como ele morreu? — perguntei, já esperando que não fosse simples.
— Ainda não sabemos ao certo — respondeu José. — Estamos investigando o que aconteceu na casa. À primeira vista, não há nada que indique a causa da morte.
— Duvido que ele tenha simplesmente caído morto e que a casa tenha pegado fogo do nada. — Era uma história sem pé nem cabeça.
— De fato não parece — disse ele, mais baixo. — O fogo começou em dois pontos diferentes da casa, mas como disse ainda estamos investigando.
Dois pontos. Aquilo praticamente respondia sozinho, mas ainda assim, se fosse para destruir as provas a casa toda deveria ter pegado fogo.
Olhei para Camila. Ela não parecia nem um pouco satisfeita — principalmente por Júlia ainda não ter sido encontrada. Passei a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.
— E a Júlia? Alguma pista?
— Continua desaparecida. Como eu disse, quando os bombeiros chegaram, a casa estava vazia. A polícia conseguiu interceptar alguns empregados. O lugar era um esconderijo bem estruturado , tinha até uma ala hospitalar equipada. Acreditamos que eles estavam lá desde o sequestro… incluindo a Júlia. Ainda estamos confirmando se os itens encontrados pertencem a ela.
Claro que tinha fugido, o problema era que quando ficava sem saída, Júlia sempre encontrava alguém para ajudar. Sabia se fazer de vítima como ninguém.
— A morte foi recente, praticamente no momento do incêndio — continuou José. — Ou ela fugiu naquele instante… ou já saiu do país. Ainda é cedo para afirmar. Mas encontramos documentos falsos, além de outras evidências ligadas à organização criminosa do Romeo, o lugar funcionava como base.
Apertei o maxilar, frustrado.
— Será que a mãe dela sabe de alguma coisa? Faz tempo que não falo com ela, as duas não se davam bem, mas em último caso é uma possibilidade.
— Está viajando. Mandamos alguém até a casa, mas estava vazia. Nenhum vizinho soube informar nada.
— Eu recomendo que vocês deixem a Júlia de lado por enquanto. Sem o Romeo, ela deve estar sozinha e fugindo. Obsessão não vai ajudar. Em algum momento, ela vai cometer um erro… mas também existe a chance de nunca mais aparecer. Vocês precisam seguir com a vida de vocês.
O conselho soou quase como uma desistência. Saí da sala com aquilo ecoando na cabeça.
Mas, do lado de fora, Camila encostada no carro, com o olhar duro, deixava claro que ela não pensava o mesmo e que era bom nem repetir o que José disse.
— Ela vai simplesmente escapar assim? — disse, irritada. — Eu me recuso a aceitar isso. Ela estava naquela casa… e, de novo, saiu debaixo do nariz da polícia. Que incompetência.
— Camila, se acalma...
— Não manda eu me acalmar — cortou. — Aquela mulher é perturbada. Mesmo que a gente não saiba onde ela está, eu tenho certeza de que ela sabe onde nós estamos e quer saber de uma coisa, já que ela está olhando… vou dar um presente para ela. Espero que esteja em um buraco escondida, remoendo a desgraça de vida que ela tem, só fico com pena do filho que não tem nada a ver com isso.
Antes que eu perguntasse o que ela pretendia fazer, Camila tirou o celular do bolso. Em poucos segundos, fez uma foto da própria mão, exibindo o anel de noivado. Depois outra, sorrindo e postou tudo.
— Pronto — disse, fria. — Dançar naquele puteiro não adiantou. Vamos ver se agora ela reage. Duvido que consiga dormir sabendo disso. E, se aparecer na minha frente… vai ser um prazer quebrar o nariz dela de novo.
Não discuti. Camila estava com raiva e decidida, aquilo não era só provocação. Era um convite claro. E, conhecendo Júlia… ela era capaz de cair sim na armadilha, e pelo olhar de Camila era exatamente isso que ela queria.
Mas a foto também expunha o noivado para toda a família. Não era a melhor forma de anunciar, mas, agora que tudo estava exposto, eu sabia qual era o próximo passo.
Estava na hora de procurar o meu irmão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...