"Nicole"
Abri a porta de casa e encontrei Viktor apenas com uma toalha amarrada à cintura, esperando uma lasanha girar no micro-ondas como se aquela fosse uma cena perfeitamente normal.
Por um segundo, considerei fechar a porta e fingir que tinha errado de endereço.
— Você não tem uma roupa? — perguntei, largando a bolsa.
— Tenho — ele respondeu, sem a menor pressa. — Mas sei que você gosta de me ver assim.
Revirei os olhos.
— Continua sonhando.
Passei por ele, tentando ignorar o fato de que ele estava, irritantemente, confortável demais na minha casa. Na minha casa. O que, aliás, ainda me parecia um conceito meio flexível desde que eu tinha decidido abrigar um criminoso sem dinheiro, sem contatos e com uma tendência questionável a andar seminu pela cozinha.
No começo, fazia sentido, pelo menos na minha cabeça. Ele me ajudaria a encontrar minha irmã, mas Viktor na verdade ainda não tinha me dado nada de útil. E agora… eu já nem sabia por que ele ainda estava na minha casa e nem em que momento isso tinha deixado de ser um problema.
— Sabe — ele começou, como quem não quer nada — Faz tempo que não saio para beber, ver gente. Faz muito tempo que eu só… me escondo aqui. — Ele apoiou o ombro na parede, casual demais. — A Lush vai reinaugurar.
Soltei uma risada curta, só podia ser piada.
— Claro. Ótima ideia. Se você quer ser preso, podemos economizar tempo e ir direto para uma delegacia.
— Não vou ser pego — Ele falou com confiança, quase com arrogância.
— É exatamente o tipo de coisa que alguém prestes a ser pego diria.
Ele sorriu de lado.
— Além disso… você vai estar comigo.
Cruzei os braços.
— Quem disse?
— Eu preciso de você.
— Duvido.
Ele se aproximou um pouco mais, o suficiente para ser incômodo… ou não exatamente incômodo.
— Não — disse, mais baixo. — Eu realmente preciso.
Desviei o olhar primeiro. Péssima decisão.
— Tá — suspirei. — Me explica por quê. Porque, sinceramente, escolher a Lush é praticamente entrar na toca do leão. Gente importante, imprensa… exposição máxima. Se você quer sair, existem lugares muito melhores para alguém na sua situação, até o Red Rose é perfeito.
— Júlia.
Claro. Sempre ela, nada como ficar obcecado com a pessoa que tentou te matar.
— Ela tem uma obsessão pelo César — continuou — e pela Camila. Aposto que aparece, nem que seja para olhar de longe.
Aquilo era novidade. Às vezes, Viktor fazia isso — soltava informações assim, do nada, como se fossem detalhes irrelevantes. Eu não fazia ideia de que Júlia também estava envolvida com César e Camila, que, aliás, me ligava de tempos em tempos para conversar, dizer que ainda havia alguém investigando. Eu gostava de Camila e também de Lucy.
— Você acha mesmo que ela teria essa cara de pau?
— Acho. E preciso ter certeza. Se ela aparecer, eu vou estar lá, esperando.
Havia algo diferente no jeito que ele disse aquilo, era quase uma necessidade. Viktor parecia não ser não do tipo que deixava coisas inacabadas, muito menos pessoas.
Observei enquanto ele pegava a lasanha do micro-ondas, completamente tranquilo, como se não estivesse planejando se infiltrar em um evento cheio de gente influente enquanto era, tecnicamente, procurado.
Ele se aproximou de novo, mais perto do que o necessário, como se já soubesse que eu não recuaria.
— E você — completou — entra comigo.
— Isso não melhora em nada o plano, posso ser presa como cúmplice e isso não me ajuda em nada.
— Não vai ser, acredite em mim. Confia em mim, Nicole, não vai acontecer nada com você, eu não vou deixar.
A última coisa que deveria fazer é confiar em Viktor.
— Esse é, disparado, o pior argumento que você podia usar.
— E mesmo assim você vai.
Parei por um segundo. O pior é que ele não estava errado.
— Se você for preso, a culpa é só sua — avisei. — Eu comentei com a Lucy que não estava mais trabalhando na Red Rose e que estava procurando alguma coisa. Ela disse que pode me indicar na Lush. Como o lugar é novo… posso ligar e aceitar. Pelo menos eu ganho algum dinheiro.
Ele sorriu daquele jeito irritante.
— Eu sabia que você era perfeita.
Bufei.
— Já falei que isso tem um custo.
— Estou ciente.
Revirei os olhos, mas, contra o meu melhor julgamento, um sorriso escapou. Aquilo era uma péssima ideia e, ainda assim, eu já estava dentro. Definitivamente, eu tinha perdido o pouco de juízo que ainda me restava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...