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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 296

"César"

A empresa de Augusto pulsava com o som de telefones e teclados, um organismo vivo crescendo a cada segundo. Ao lado de Diana, ele não tinha erguido apenas um negócio, tinha moldado o início de um império.

Ao atravessar a recepção, não consegui evitar um certo arrependimento. Eu tinha passado tempo demais focado nos meus próprios problemas, enquanto a vida dele e de Diana avançava. Perdi muitos momentos, inclusive em familia.

— César!? Agora você resolve aparecer? — Augusto tirou os olhos do monitor para me encarar, já armado com o cinismo de sempre. — A Isabella acabou de me dar uma bronca. Quer saber se eu fui padrinho de um noivado secreto com a Camila ou se você resolveu ser covarde e não avisar a família. Ela está possessa.

— É exatamente por isso que eu estou aqui.

Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços, com aquela aura de quem manda no mundo.

— Eu devia te pagar um uísque por finalmente tirar a prima da minha mulher da prateleira… mas, pelo seu semblante, não sei se compro flores ou um caixão. Eu esperava mais felicidade. Achei que você amava a Camila desde sempre.

— É uma coisa boa, Augusto — respondi, tentando manter a firmeza. — Mas, antes de trocarmos as alianças, eu preciso te contar algumas coisas. A Diana está?

— Trabalhando de casa hoje. — Ele apontou para a cadeira à minha frente. — Senta e fala logo. Que cara de enterro é essa?

E, pela primeira vez, eu abri o jogo. Contei sobre Júlia, sobre a sombra de Romeo, Viktor… e tudo o que tinha acontecido nos últimos meses. Augusto conhecia o César “dono de boate”, o irmão mais velho que tinha trocado o terno por uma vida diferentem, não o resto que tinha vindo com essa escolha.

Quando terminei, o silêncio no escritório ficou denso. Augusto me encarava como se eu tivesse acabado de dizer que cavalos voavam.

— A Isabella vai me matar — murmurou, esfregando o rosto com as mãos. — E, depois que ela terminar, eu mesmo te mato. Você sumiu esse tempo todo por causa disso?

— Em parte.

— Eu achei que você estava em crise de meia-idade… ou sendo frouxo. Mas isso? — Ele soltou uma risada seca. — Isso é loucura em parcelas, César. Você atravessou o oceano para resgatar uma psicopata, se meteu com gente perigosa e ainda arrastou a Camila pra isso? Você perdeu a cabeça?

— Eu sei… foi um erro, eu já me culpo o suficiente.

Augusto parecia a ponto de explodir.

— Um erro? — ele explodiu, inclinando-se sobre a mesa. — Você é meu irmão mais velho! O cara que sempre fez tudo certo, você nem bebia. E agora virou o quê? Um gangster barbudo armado?

— Eu não sou um gangster, Augusto. Não exagera.

— “Precisava saber”? — ele parou, me encarando com intensidade. — César, eu tenho dois filhos. Uma esposa. Se essa mulher é metade do que você descreveu, eu vou montar um esquema de segurança nível chefe de Estado no seu casamento. Nossa família inteira vai estar lá, e já não somos apenas nós — temos filhos e outras pessoas sob a nossa responsabilidade.

— Eu sei, tenho consicência disso, mas não precisa exagerar…

— Precisa! — cortou, com a voz baixa e firme. — Se um fio de cabelo da Camila cair, a Isabella nunca vai me perdoar. E ela é praticamente irmã dela. Imagina quando descobrir no que você se meteu.

O silêncio voltou, pesado.

— Eu vou cuidar disso — falei, com firmeza.

Augusto me encarou por alguns segundos. E, por trás da irritação, estava algo maior, preocupação e responsabilidade.

— Espero que cuide mesmo — disse, sério. — Porque, a partir de agora, isso deixou de ser só problema seu.

Assenti, ele estava certo. Quando saí dali, uma coisa ficou clara. Eu tinha tomado outra decisão. Ia morar com a Camila. Dormir ao lado dela naquela noite tinha deixado isso evidente — éramos mais fortes juntos. Mas também sabia que a mãe dela, com o Heitor, não podia ficar sozinha.

E eu não fazia ideia de como a Camila reagiria a isso. Ainda não tínhamos tido essa conversa. Mas estava na hora.

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