"Nicole"
— Onde estou? — Viktor perguntou com a voz rouca quando acordou dois dias depois.
Ele tinha precisado de uma cirurgia, alternado entre consciência e inconsciência e agora até tentava se levantar da cama, mesmo sentindo dor. Eu tinha cuidado dele, até dos ferimentos.
— Num hospital, e se eu fosse você não faria isso. Vai abrir os pontos, e, pelo que eu sei, você não pode mais se dar ao luxo de perder sangue.
Ele olhou em volta, confuso, e se recostou na cama de novo, fazendo uma careta.
— Água…
Levantei-me, peguei um copo com água e levei até ele. Viktor estava fraco e mal conseguiu segurar o copo direito, o ajudei a tomar a água.
— Quem é você? — perguntou depois de beber.
— Obrigada, você também. Meu nome é Nicole. Sou a pessoa que salvou a sua vida.
Ele me encarou, confuso.
— Onde estou?
— No hospital.
Ele arregalou os olhos e tentou se levantar de novo.
— Relaxa, você não vai conseguir ir a lugar nenhum. E este não é um hospital comum, se está com medo da polícia, pode descansar.
— Quem diabos é você? — a pergunta saiu quase como um rosnado.
— Já falei. Sou a pessoa que salvou a sua vida.
Ele me olhou, o olhar fixo no meu, em silêncio.
— Merda…
— Você realmente sabe agradecer.
— Por que você está aqui? Está com a Júlia? Cadê aquela puta desgraçada? Quanto ela te pagou?
— Júlia? A mulher que te esfaqueou?
Ele riu e fez uma careta, apertando o lugar onde levou as facadas. Tinha ficado mais pálido.
— O que ela quer? Dinheiro? Vai me entregar para a polícia?
— Não. Aqui você está seguro por enquanto. Claro que depende de você. Eu sei que você não pode levantar dessa cama e sair correndo, então, se me responder algumas perguntas, deixo você aqui pagando a conta com o seu cartão. Caso contrário, a polícia pode te ajudar a economizar na diária.
Ele ficou irritado e, mais uma vez, tentou se levantar, mas ficou ainda mais pálido.
— Já falei que vai arrebentar os pontos assim, para de ser teimoso.
— O que você quer?
— Eu tenho algumas perguntas…
Até começaria a falar, mas o médico chegou. Após a consulta, Viktor estava cansado e dormiu de novo. Só me restava ficar ali esperando. Meu objetivo não era virar babá, mas não tinha escolhar, a não ser ficar vigiando o sono de Viktor, tomando banho no banheiro do quarto do hospital. Até pedi para um vizinho pegar uma muda de roupa e me entregar. Meu chefe tinha me ameaçado demitir, mas eu não podia sair daquele quarto.
Viktor, assim que conseguisse se levantar, fugiria.
— Água… — ele acordou horas depois, resmungando de novo.
E lá estava eu, dando água na boca dele.
— Você ainda está aqui?
— Estou aqui desde o começo.
— Você disse que era um hospital…
— Sim. Do tipo que não faz perguntas. Eu dei um dos seus cartões para eles pagarem a conta.
Ele me encarou, mas não disse nada. Dava para ver que estava com dor, gotas de suor brotavam da testa dele.
— Quanto ela te pagou? Quanto a Júlia te pagou para isso? — Ele perguntou de novo, parecendo confuso.
— Ainda nisso? Já disse que não tenho nada com ela, ninguém está me pagando.
— Ela deveria pegar você… — disse, com dor, fazendo esforço para se levantar e se sentar na cama.
— Me pegar?
— Não era por isso que queriam me sequestrar? Que a tal da Júlia ia me pegar?
— Você foi uma encomenda. Um amigo pessoal pediu um favor. Vamos dizer que você mexeu com as pessoas erradas. Não sei quem é essa moça, nem o que você fez.
— Quem? Com quem eu mexi? Eu quero saber.
Eu tinha encontrado.
Viktor me encarou de novo, em silêncio. Eu o tinha visto algumas vezes, conversanso rindo, mas agora, ali, palido, vulneravel, com dor, parecia um homem comum, bonito até, não um lobo mal.
— Ela é a minha irmã. Há anos se apaixonou, mudou de pais, caiu numa rede de tráfico e sumiu, para resumir a história Eu preciso saber onde ela está. Onde ela está agora, Viktor? Se você não falar, eu juro que termino o que a Júlia começou.
Viktor olhou para a porta, depois para mim. Ele percebeu que a “garçonete burra” tinha um limite, e ele estava prestes a cruzá-lo.
— Desista. Você vai acabar morrendo. Aliás, já foi marcada. Caiu no radar de quem não devia. Faça um favor a si mesma: esqueça isso. Considere sua irmã como morta e fuja. É o único conselho que tenho para dar.
— Nunca… nunca vou desistir de procurar.
Nos olhamos nos olhos, em silêncio. A determinação dele brigava com a minha; ele tinha as respostas, e eu estava disposta a consegui-las.
— Não vou falar, se é isso que está pensando.
Alguém bateu na porta, e uma enfermeira entrou trazendo o almoço. Depositou a bandeja na bancada e foi embora. Como acompanhante, eu tinha que dar comida para Viktor. Eu só precisava de uma direção, um caminho, qualquer coisa que pudesse me levar na direção certa.
— Nicole? — ele chamou.
— Onde essas pessoas atuam? Só preciso de um nome, uma cidade, um lugar, qualquer coisa.
O olhar de Viktor já não era de raiva, mas de pena. Senti as lágrimas que sempre reprimia lutando para sair. Não podia chorar na frente do inimigo, não podia me deixar abater.
— Você nunca vai chegar lá. Nem com a polícia, desista.
— Nunca. Eu dou meu jeito. Você só precisa me dizer, se vou sobreviver ou não, nem é problema seu — disse, pegando a bandeja de comida e ajeitando-a para que ele pudesse comer.
Viktor aceitou a ajuda, fraco demais para recusar, e me vi ali, ajudando-o a comer, confiando que ainda existia alguma gratidão naquele homem, alguma humanidade.
Não consegui evitar que uma lágrima escorresse pelo meu rosto. Ele percebeu, mas não disse nada. Depois de comer, adormeceu novamente.
E eu fiquei ali, vigiando, esperando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...