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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 291

"Júlia"

Sai do carro e encarei a mansão. Com Viktor fora da jogada, eu agora tinha algumas opções. Viver ao lado de Romeo, ele se recuperaria, nos casaríamos, era um bom negócio. Um ótimo negócio na verdade. Não estava mais grávida, não tinha mais um herdeiro, mas poderia gerar outro.

A pergunta era se eu queria. Aquele período havia se mostrado complicado e frágil. Sem Viktor e com Romeo fragilizado, eu finalmente tinha acesso e poder. Podia circular sem a vigilância dele. Sabia que os seguranças e empregados ainda tentariam contato com Viktor, claro — mas não obteriam resposta. Isso me dava uma vantagem preciosa.

Assim que cheguei, tomei um banho e fui direto para o quarto de Romeo. A recuperação dele estava sendo mais rápida do que eu imaginava; ele ainda era um homem forte e determinado. Aproveitei o momento para revistar o quarto de Viktor, que ficava em outra ala. O lugar estava trancado, mas era uma fechadura simples; consegui abrir com facilidade. Era óbvio que ele jamais imaginaria que eu entraria ali, talvez ele recebesse um alarme no celular, mas isso não era um problema mais.

Ninguém apareceu, o que confirmou que, se o lugar era vigiado, era somente por Viktor, e mais ninguém. O quarto era enorme, porém simples, austero, sem qualquer toque pessoal. Revirei gavetas, roupas, procurei embaixo da cama. Achei papéis de negócios e transações, mas tinha que haver algo mais. Se estivesse no cofre, seria um caso perdido, eu não conseguiria o acesso.

Mas, no fundo de uma gaveta, achei o que procurava: três celulares, todos bloqueados. Um instinto me dizia que valia a pena tentar desbloqueá-los com o rosto ou o dedo de Romeo; talvez eles compartilhassem o que quer que estivesse ali.

No dia seguinte, Romeo já estava sentado na cama, acompanhado por uma fisioterapeuta. Lúcido. Conversando. Lembrando de tudo. Eu precisava ser mais rápida. Agora, sem a vigilância constante de Viktor, consegui acessar o celular de Romeo com calma. Tempo suficiente para fazer o que era necessário.

E foi aí que percebi, Romeo tinha muito mais dinheiro do que eu imaginava. Muito mais. Eu poderia ter tudo aquilo sem casamento, sem prisão. Era um passaporte para bem longe de tudo. Ainda assim, não saía do lado da cama dele. Cuidava, ajudava, fazia tudo parecer natural. Como se eu ainda estivesse ao seu lado por escolha… e não por interesse.

— E o Viktor? — Romeo perguntou. A voz ainda estava fraca, mas a expressão era carregada.

Forcei um semblante leve.

— Não sei, amor… — respondi, com naturalidade.

Romeo me encarou por alguns segundos. Mesmo fragilizado, havia algo em seus olhos que nunca desaparecia: desconfiança. Controle. Ele não era o tipo de homem que aceitava perder o comando por muito tempo, e já havia percebido que estivera fora da jogada tempo demais.

Abri uma conta, depois outra. E outra. Valores absurdos. Era mais do que eu imaginei para uma vida inteira. Havia outras informações, mas os negócios não me interessavam; apenas o dinheiro. E ninguém estava olhando. Nem Viktor, nem Romeo.

Respirei fundo e comecei. Dessa vez, não houve cautela. As transferências foram rápidas, diretas, agressivas. Esvaziei contas inteiras, distribuindo o montante em camadas que levariam tempo para rastrear — se é que alguém conseguiria. Minutos se passaram, ou talvez horas. Quando terminei, recostei-me na cadeira, o coração acelerado. Eu tinha feito. Tudo.

Voltei para o quarto de Romeo. Ele ainda dormia, fraco, indefeso. Pela primeira vez, ficou claro: ficar ali não fazia mais sentido. Eu já tinha o que precisava. Dinheiro, vantagem e liberdade.

Mas enquanto ele estivesse vivo… ainda existia risco. Romeo não me deixaria ir assim. Eu sabia demais, e conhecia tipos como ele. Levantei-me devagar, observando-o mais uma vez. A decisão se formou sem esforço. Fria e simples.

Eu não ia apenas fugir. Eu ia terminar aquilo. De vez. E, finalmente, viveria livre.

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