"Camila"
— Tenho certeza de que sua prima vai voltar, ela não pode ter abandonado o filho.
Minha mãe disse isso depois de fazer Heitor dormir. Mais uma vez, ela demonstrava esperança em Karen. Mas, no fundo, eu duvidava que ela voltasse. Karen tinha escolhido fugir e, com um filho pequeno, tudo seria ainda mais complicado. Além disso, minha prima nunca foi do tipo que aceitaria viver na miséria. Minha aposta era que ela tinha ido para algum lugar onde pudesse arrumar um marido rico que não verificasse seus antecedentes criminais e não quisesse o filho de outro homem.
Já fazia um tempo que ela tinha ido embora. Eu até poderia usar alguns recursos para encontrá-la, mas não valia a pena.
E agora, além de todos os problemas dos quais minha mãe nem fazia ideia, ainda havia isso.
Eu me sentia exausta. Tinha realmente acreditado que Júlia, Romeo e Viktor seriam capturados com facilidade, que minha apresentação faria com que ela cometesse um erro. Mas havia subestimado Júlia e superestimado a polícia. José parecia esforçado, mas, mesmo assim, Viktor tinha escapado debaixo do nariz dele, e Júlia continuava sumida, como sempre. Talvez nem estivesse mais no país. Eu precisava aceitar que, dessa vez, ela tinha conseguido.
E ainda havia Nicole, eu tinha o desejo de ajudar de verdade. César tinha recebido informações sobre tráfico humano, e, com base nas poucas pistas dadas pela irmã dela, tentamos avançar, mas nada deu certo. Nenhuma resposta concreta. Era um rastro perdido.
E se tudo isso ainda não bastasse, eu nem tinha nem um emprego de verdade. Fazia alguns bicos no restaurante da Nina e, apesar do meu noivado com César, nem isso me trazia alegria, até porque ninguém sabia.
Minha mãe foi deitar e fiquei ali no sofá pensando em como tudo vinha desmoronando.
O silêncio da casa foi interrompido pela vibração do meu celular. Era César.
— Oi, amor — atendi, tentando manter a voz firme.
— Você não parece bem — disse ele assim que ouviu minha voz. O tom era baixo, preocupado, carregado daquela percepção aguda que sempre me desarmava. — O que houve?
— Não é nada… acho que é só cansaço. Alguma novidade? — mudei de assunto. Não queria falar do meu desânimo.
— Falei com o José hoje de manhã. Por enquanto, nada. Mas tenho uma boa notícia, já achei o lugar que onde vou reconstruir a Lush, é local perfeito. No terreno da antiga, vou desenvolver outra coisa, demolir o resto da construção e fazer um novo prédio.
— Nossa, isso é ótimo.
Eu estava realmente feliz por ele, mas minha voz ainda soava distante, falsa.
— Camila, está tudo bem mesmo?
— Claro… não se preocupe.
Mas não estava. A decepção com Júlia e o cansaço acumulado transbordavam dentro de mim. Eu me sentia pequena, estagnada entre trabalhos temporários e pistas que não levavam a lugar nenhum.
Desligamos com a promessa vaga de nos falarmos no dia seguinte. Eu só precisava dormir.
Cerca de uma hora depois, ouvi batidas leves na porta. Ao abrir, dei de cara com ele.
— César? Aconteceu alguma coisa? — perguntei, preocupada.
Ele segurava uma caixa de bombons, com aquele olhar intenso de quem atravessaria qualquer coisa só para me ver.
— Não aconteceu nada. Eu só precisava te ver.
César entrou e me abraçou apertado. Só então percebi o quanto eu precisava daquilo. Eu não gostava de me sentir vulnerável, mas, com ele, não precisava dizer nada. Com meia dúzia de palavras ao telefone, ele já tinha entendido.
— Não vou sair do seu lado hoje — afirmou, me entregando a caixa.
— Vai ter que dormir no sofá. Meu quarto é minúsculo.
— Tenho certeza de que podemos dar um jeito.
Encostei a cabeça em seu ombro, sentindo o peso do mundo aliviar um pouco. Fiquei em silêncio, mas ele sabia. Sabia de tudo que me assombrava.
— Vamos para o meu quarto, minha mãe já foi dormir.
— É perfeito. Cabe muito bem nós dois aqui.
Ri, era óbvio que não cabia. A cama de solteiro era apertada demais, mas, ainda assim, dormimos juntos. E foi ali, nos braços dele, que percebi o quanto sentia falta e voltei a acreditar que tudo era possível, que tudo ia se resolver.
Na manhã seguinte, acordei com cheiro de café e sozinha na cama.
Levantei-me, me arrumei e fui até a cozinha. César conversava com minha mãe, com Heitor no colo. Era uma cena íntima, familiar demais.
— Você não me disse que o César dormiria aqui, minha filha — comentou minha mãe, com uma leve crítica na voz. — Ele fez um café maravilhoso.
César sorriu orgulhoso.
E, ali, tive certeza de que era exatamente o que eu queria, acordar assim todos os dias.
Minha mãe disfarçou bem a surpresa, e César agiu com naturalidade, ainda com Heitor no colo — que parecia gostar dele também — enquanto ela preparava o pão.
César tinha razão.
Adiar e esconder nossos planos era dar mais uma vitória para Júlia.
— Mãe, o César e eu vamos nos casar… estamos namorando — falei de uma vez, ali no meio da cozinha com a cara ainda amassada de sono e de pijama.
Minha mãe me olhou, em choque, e depois para César, em busca de confirmação.
— É verdade. Eu amo a sua filha.
— Bem… eu fico feliz — disse ela, me abraçando, emocionada. — Minha filha, eu desejo que você seja muito feliz. Se é isso que você quer, se tem certeza, eu apoio.
O café da manhã foi animado. Minha mãe tinha muitas perguntas, querendo saber do casamento, do namoro, onde iamos morar, eu não tinha nem metade das respostas, mas me sentia feliz de uma forma que jamais imaginei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...