—Víctor, você me prometeu que, não importa o que eu fizesse, você sempre me perdoaria, lembra? Não fui eu quem enviou o vídeo, foi aquela pessoa que comprou por quinhentos mil. Era só um vídeo, eu nunca imaginei que traria consequências tão graves para você. Eu estou doente, minha cabeça não funciona direito, Víctor, por favor, não me culpe, está bem?
—Por quinhentos mil, você foi capaz de me vender. Serena Cruz, você continua tão fria quanto há cinco anos. Certo, o vídeo não foi intencional, mas e o sequestro da Kelly? Ela é sua filha, como conseguiu ser tão cruel? Eram quase duzentos metros de altura, você sabe o que aconteceria se ela caísse? A Kelly teria se despedaçado.
—Você viu, eu amarrei a Kelly em mim com uma corda, ela não ia cair. Você só sabe me criticar, mas a Kelly é minha filha e insiste em chamar aquela mulher, Francisca Lobato, de mãe. Você já pensou como me sinto? No máximo, tenho mais meio ano de vida, só quero passar meus últimos dias com a Kelly, com você. Por que isso é tão impossível?
Serena Cruz chorava contida, encostada no peito de Víctor Laranjeira.
Víctor Laranjeira abaixou o olhar em silêncio, o olhar oscilando, claramente ponderando as palavras de Serena Cruz.
—Víctor, por favor, deixa a Kelly ficar comigo, só um pouco... Não peço muito, dois ou três dias por semana já basta. Víctor, por favor...
O olhar de Víctor suavizou, ele acariciou o ombro de Serena Cruz com ternura e disse, com uma doçura serena:
—Não chore mais. Essas duas coisas estão perdoadas, mas nunca mais faça isso. Francisca já descobriu sobre a casa no sul da cidade, não adianta comprar outra, ela também vai descobrir. Eu aluguei um apartamento para você no norte da cidade, mude-se para lá. Quando for possível, levarei a Kelly para te visitar.
—Hoje... será que pode ser hoje? Víctor, eu sinto tanta falta de vocês que nem consigo dormir, estou à beira de um colapso. Promete pra mim, por favor, eu me ajoelho se precisar!
—Não!
Quando Serena Cruz começou a se ajoelhar, Víctor Laranjeira imediatamente a segurou, puxando-a para seus braços. Seus olhos alongados estavam úmidos:
—Não se ajoelhe, Serena, me deixa pensar, preciso pensar.
Serena Cruz pareceu relaxar, as lágrimas escorriam incontrolavelmente pelo rosto, o sofrimento estampado em cada traço.
Apertando-se nos braços de Víctor Laranjeira, ela murmurou, desesperada:
—Víctor, eu vou morrer, o que eu faço? Eu não quero morrer, não quero te deixar, nem deixar a Kelly. Víctor, estou com tanto medo, o que eu faço?


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