Mesmo com uma porta entre nós, eu conseguia sentir o som do sangue fervendo nas veias deles.
Os dois ainda trocaram muitos sussurros antes de Víctor Laranjeira apoiar Serena Cruz para saírem juntos.
Apressei-me em me esconder atrás de uma coluna próxima.
Desativei a câmera do celular e subi o vídeo para a nuvem, achando que, no futuro, aquilo poderia ser útil.
Ver uma cena parecida novamente ainda apertava meu peito, mas já não doía como naquela vez no terraço. Agora, parecia até irônico.
Há pouco, Víctor Laranjeira ainda me mandara uma mensagem dizendo que teria um compromisso no almoço e que eu deveria comer sozinha, evitando alimentos apimentados para não prejudicar a cicatrização do ferimento.
E não tinham se passado nem dez minutos, e lá estava ele, no hospital, abraçando e beijando a ex-namorada.
Não é irônico?
Homens e suas promessas vãs. Víctor Laranjeira não era exceção.
Fernando Gomes apareceu, dizendo que o professor precisava descansar e que era melhor eu ir com ele, pois à tarde teríamos uma reunião na empresa.
No carro, por várias vezes quis perguntar se o professor havia aceitado me receber como aluna, mas o rosto de Fernando Gomes estava tão fechado, como se coberto por uma camada de gelo.
Eu não sabia o que tinha acontecido lá dentro e tampouco tinha coragem de perguntar.
Mais tarde, em uma ocasião, Fernando Gomes me contou que, após a faculdade, eu havia passado para um mestrado-doutorado direto, mas desisti para me casar com Víctor Laranjeira, optando por trabalhar como uma simples técnica na InovaBrasil.
Naquele ano, o senhor Carlos Batista era o orientador de doutorado — e aquela turma seria o encerramento da carreira brilhante dele na área de medicina integrativa.
E eu, tola, perdi essa oportunidade!

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