Dito isso, ela desligou o telefone com um clique, deixando-me sozinha e confusa na pequena cama da sala de descanso.
À tarde, ao voltar para minha mesa, vi de imediato o buquê de rosas caras e exuberantes.
Senti que aquilo era um ímã de problemas.
Liguei para um entregador da cidade, perguntei o endereço e mandei as flores de volta pelo mesmo caminho.
O que é meu, não abro mão de um centavo; o que não é meu, não aceito um centavo.
Isso vale para dinheiro, para flores, para tudo.
Depois de entregar as flores ao entregador, senti um alívio, pensando que o episódio das rosas havia terminado.
Mas mal me sentei de volta na minha mesa e Lion entrou com um enorme buquê de flores, causando um alvoroço no departamento de tecnologia.
— Diretora Francisca, a Ginel já enviou a proposta de parceria. Para agradecer seu esforço, a empresa encomendou um buquê de flores para você, como forma de incentivo e reconhecimento. Por favor, aceite.
Cerrai os dentes, incrédula.
Não fui a única a fechar um projeto para a empresa, mas, até agora, fui a única a receber flores.
Tenho razões para suspeitar que isso tem a ver com o buquê que Singh enviou, mas não tenho provas.
Levantei-me apressadamente e, com uma atitude ainda mais oficial que a de Lion, aceitei as flores com reverência, expressando minha sincera gratidão e afirmando minha determinação em continuar me esforçando.
Era um buquê de jacintos roxos, combinados com pequenas margaridas lilases e gipsófilas do mesmo tom.
Era bonito, sim, mas essa combinação me deixou sem saber o que significava.
Menos de dez minutos depois que Lion saiu, enquanto Flávia, curiosa, pesquisava o significado das flores em seu celular, Fernando Gomes me enviou uma mensagem: "Gostou das flores?"
Como eu poderia responder?
Mesmo que não gostasse, teria que dizer que sim.
Ele era o grande chefe, era preciso agradá-lo.
"São lindas, adorei."
"Uma por dia, de agora em diante. Não aceite mais flores de estranhos."

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