Silêncio.
Um silêncio mortal.
Mandei Flávia sair e fiquei sozinha, encarando a tela fria do computador.
Depois de um tempo, ele enviou outra mensagem.
"Certo, Francisca Lobato, você venceu. Trabalhe. Se o trabalho não te matar, então trabalhe até morrer. Sem o trabalho árduo da Diretora Francisca, a InovaBrasil iria à falência."
Desta vez, foi a minha vez de ficar em silêncio.
A língua venenosa de Fernando Gomes devia ser resultado de uma dieta infantil de veneno de cobra, vinho envenenado e desinfetante.
Caso contrário, o veneno não teria se entranhado tão profundamente em sua alma.
"Ok, chefe. Vou beber o desinfetante."
Depois que enviei essa mensagem, mesmo a cinco andares de distância, senti a frieza que emanava dele, capaz de me congelar.
A caixa de diálogo finalmente se aquietou, e meu coração, que estava em suspense, voltou ao seu lugar.
Servir a um rei é como servir a um tigre.
Os antigos não me enganaram.
Essa conversa me levou a uma conclusão, que não sei se está correta: Fernando Gomes talvez goste de mim.
Essa ideia mal havia surgido quando foi indiretamente confirmada.
O motivo foi um formulário de solicitação que eu preenchi e que precisava da assinatura dele.
Subi ao décimo oitavo andar com uma pilha de formulários impressos.
Quando estava prestes a bater na porta do escritório do presidente, ouvi vozes despreocupadas vindo de dentro da porta, que não estava totalmente fechada.

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