Sentei-me à mesa, peguei alguns fios de macarrão com o garfo e levei à boca. No ponto certo, o sabor era intenso e delicioso.
O macarrão tinha acabado de sair da panela, ainda estava quente. Depois de terminar a tigela inteira, senti um leve suor nas costas. Era uma sensação agradável, embora um pouco pegajosa.
Planejava tomar outro banho e depois ligar para Cecí, para confirmar se o diagrama realmente existia. Mas, antes que pudesse fazer isso, recebi uma ligação de Víctor Laranjeira.
Assim que atendi, ouvi a voz ansiosa de Víctor do outro lado da linha:
— Francisca, onde você está?
Fiquei completamente sem entender.
— Em casa. Por quê?
Ele soltou um suspiro de alívio.
— Não é nada. Só não se envolva nos assuntos do funeral da Lília Santos, entendeu?
Na verdade, nem pretendia me envolver.
Não sou ingênua a ponto de cuidar dos assuntos de alguém que tentou acabar comigo.
Já me basta o incômodo de ter que andar com proteção particular; realmente não tenho energia para resolver os problemas dos outros.
Até aquele gasto com as despesas médicas dela já me deu arrependimento. Dinheiro jogado fora, que desperdício.
Como a tarde estava tranquila, saí para me divertir com Cecí. Um carro de segurança nos seguiu o tempo todo. No começo, aquilo me deixava desconfortável, mas, com o tempo, acabei me acostumando e já nem ligava mais.
Quando voltei para casa à noite, vi que a parede entre os dois cômodos principais havia sido demolida.
E isso aconteceu completamente sem o meu conhecimento!
Fiquei prestes a explodir de raiva e a tomar a decisão de me mudar, mas Fernando Gomes me deu uma explicação irrefutável:

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