Bastou um olhar e senti o sangue subir até o pescoço, deixando-me tão constrangida que desejei, do fundo da alma, sumir da face da Terra.
Era uma peça íntima minúscula, menor do que o tamanho da minha palma, feita apenas de algumas tiras finíssimas, com algumas pérolas incrustadas em lugares estratégicos, cuja utilidade eu não ousava imaginar.
Abaixei-me rapidamente, peguei aquilo do chão e joguei de volta na caixa, fechando a tampa em seguida.
Fernando Gomes pareceu perceber do que se tratava. Seus olhos encantadores brilharam por um segundo, desviou o olhar e, de repente, uma vermelhidão juvenil coloriu-lhe as orelhas e a nuca.
Por pouco não quebrei um dente de tanta raiva.
Cecília Lima!
Pensei que fosse brincadeira, mas ela não só levou a sério como também enviou o “presente” logo cedo!
O pior de tudo: Fernando Gomes viu!
Viu!
Que situação insuportável.
Logo cedo, minha vontade de acabar com tudo era mais forte do que qualquer impulso matinal masculino.
Agarrei a caixa e entrei no quarto, sem coragem de sair de lá.
Liguei imediatamente para Cecília Lima, pronta para dar uma bronca daquelas.
Ela, obviamente, percebeu que minha ligação não trazia boas notícias e, espertamente, não atendeu. Preferiu mandar uma mensagem: “Na primeira vez, use aquela preta com as pérolas. Fernando Gomes vai ficar louco por você! Veja o manual ilustrado para detalhes.”
Peguei a tal peça e a examinei minuciosamente. Senti o sangue subir à cabeça, os ouvidos zunindo.
Se Fernando Gomes vai enlouquecer por causa disso, não sei. Mas eu, sinceramente, já estava à beira da loucura.
E ainda tinha um manual ilustrado!
Não sou tão desorientada a ponto de não saber como vestir uma calcinha.
Cecília Lima, essa sim, enlouqueceu de vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade