A última frase caiu sobre mim como um balde de água fria, despertando-me de repente.
Sim, aqui era a Cidade Capital, território de Fernando Gomes. Se ele quisesse me impedir, eu realmente não teria como sair da família Gomes, muito menos deixar a Cidade Capital.
Enfrentá-lo de frente não me traria nenhum benefício.
O arrependimento tomou conta de mim mais uma vez.
Nunca deveria ter desejado aquela companhia ilusória.
Neste mundo, tudo aquilo que você deseja ganha um valor especial justamente porque é desejado.
Quando alguém se deixa levar pela ganância de querer algo, acaba pagando um preço correspondente, às vezes ainda mais alto.
Nada neste mundo pode ser obtido de graça.
Aquela frase fez minha empolgação se dissipar aos poucos; soltei o cabo da mala, desvencilhei meu braço do dele, olhei diretamente em seus olhos e perguntei:
— Você está falando sério?
— Estou, — ele respondeu com solenidade, — eu juro, é verdade.
— Então vá.
— Fique quietinha esperando, volto logo.
Eu concordei.
O mordomo avisou que a família Batista já havia chegado. Fernando Gomes assentiu e, após me dar algumas orientações, saiu acompanhado do mordomo. Antes de cruzar a porta, ainda virou para trás, inquieto:
— Espere direitinho, volto logo.
Sentei-me no sofá e respondi com docilidade.
Fernando Gomes saiu. O quarto enorme ficou apenas comigo; até o quintal estava silencioso — provavelmente todos estavam na frente recepcionando a família Batista.
Fiquei parada, meio atônita, por uns dez minutos. Então peguei a mala jogada no chão, abri a porta do quarto e saí.
Ontem, quando Giselle Gomes me mostrou a casa, vi que havia uma porta pequena nos fundos do terceiro pátio, levando para fora.

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