Ainda estava tentando entender a situação, pensando se deveria perguntar quem era o visitante, quando o mordomo veio avisar:
— Jovem senhor, a Srta. Batista ligou. Eles já saíram de casa, devem chegar em cerca de trinta minutos.
— Certo, entendi.
Família Batista?!
— O convidado que você quer que eu veja é da família Batista?
— Sim. Na verdade, estava combinado para o segundo dia do ano, mas fiz questão de antecipar para hoje. Por que essa reação? Não quer vê-los?
É claro que não quero!
De que adianta esse encontro?
São pessoas que sempre trataram minha mãe e a mim como se fôssemos invisíveis. Por que eu deveria recebê-los?
A raiva surgiu de maneira abrupta e intensa.
Coloquei de lado a colher de canja, limpei o canto dos lábios com o guardanapo, perdi totalmente a vontade de comer. Uma indignação sem nome tomou conta de mim, como se minha vida estivesse sendo conduzida por mãos alheias. Isso me deixava profundamente revoltada.
— Sim, não quero vê-los, Fernando Gomes. Não vou receber ninguém da família Batista.
— Mas por quê? — Fernando Gomes também largou a colher, olhando para mim com surpresa.
Talvez, na cabeça desses ricos, o poder, o dinheiro e o status que têm são inalcançáveis para todos os outros. Qualquer um que consiga se aproximar um pouco já se sente na obrigação de se agarrar a eles, sem o menor constrangimento.
Não sei como os outros agem, mas eu não sou assim. Eu, Francisca Lobato, nunca serei!

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