O coração subiu instantaneamente para a garganta.
Olhei para fora, para o céu noturno escuro, e minha mente automaticamente começou a imaginar a cena do acidente: no centro, dentro daquele carro preto, estava Fernando Gomes, coberto de sangue, os ferimentos dilacerados. O sangue dele escorria pelas frestas do carro, formando uma poça no asfalto.
De repente, tudo diante dos meus olhos ficou tingido de vermelho, e as lágrimas começaram a se acumular nos meus olhos, prestes a cair.
Quando senti a umidade no canto dos olhos, percebi um detalhe desconcertante: Fernando Gomes, para mim, era apenas um chefe que demonstrava um pouco mais de consideração. E, mesmo assim, diante da possibilidade de algo acontecer com ele, minha reação foi intensa demais!
Não tive tempo de analisar o porquê, pois o momento era urgente.
O telefone desligou sozinho. Corri para discar novamente, rezando silenciosamente: Atenda, por favor, atenda logo, não me deixe assim.
Na terceira tentativa, mal tinham dado dois toques quando o telefone foi atendido.
A voz grave e envolvente, típica de Fernando Gomes, veio clara e real pelo aparelho, atravessando a noite.
— Chefe, v-você está bem? Vi que houve um engavetamento na Sol do Brasil Rodovia...
— Estou bem, sim. — Fernando Gomes parecia até bem-humorado, a voz mais leve, com um tom jovial que eu raramente ouvia. — O que houve, Diretora Francisca? Me ligando nessa hora, preocupada comigo?
Fiquei sem palavras. Meus olhos e meu cérebro giravam rápido, tentando encontrar uma desculpa plausível.
Talvez por perceber meu silêncio, Fernando Gomes realmente riu dessa vez. Sua risada foi leve e sincera, o tom subiu um pouco no final da frase:
— Acabei de passar por um acidente, foram sete carros envolvidos, estão resolvendo por aqui, teve gente ferida. Por causa da confusão, não consegui atender antes. Agora, vá se deitar, tente dormir mais um pouco. Dormir mal faz mal para a beleza, sabia?
Do carro, ouvi outra voz masculina, em tom de brincadeira:
— Olha só, ele também sabe rir. Só não ri pra gente, que é só trabalhador...


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