Ela entrou no quarto segurando uma cesta de frutas, com a postura de quem visita um paciente qualquer, e não na condição de esposa acompanhando o marido.
Os olhos de Kylen escureceram alguns tons.
— Alícia, como estão seus ferimentos? Fui ao seu quarto, mas Narciso me impediu de vê-la. Mas, sabendo que ele passou a noite inteira ao seu lado, fiquei mais tranquila.
Yolanda, que estava mais próxima de Alícia, sentada à mesa de refeições perto da porta, disse com voz suave:
— Já tomou café? Se não, posso pedir para trazerem uma porção para você.
Alícia a ignorou e acenou com a cabeça para Julian.
— Tenho algo a dizer a ele. Julian, vocês podem sair, por favor.
— O que não pode ser dito na nossa frente? — Yolanda não se importou com o desprezo de Alícia.
— Como é?
Alícia soltou um riso de escárnio.
— Assuntos do nosso casal, e você está em se meter?
Yolanda apertou os dedos, com um sorriso ambíguo.
— Você não estava querendo o divórcio de Kylen?
— Querendo ou não, agora eu ainda sou a Sra. Lourenço. Se eu mando vocês saírem, vocês saem. Especialmente você.
Ela ergueu os olhos e lançou um olhar frio para a cuidadora de Yolanda.
— Precisa da minha ajuda?
A cuidadora não entendeu o que aconteceu, mas ao ser encarada por Alícia, estremeceu instintivamente.
Aquele olhar... ela só tinha visto no Diretor Lourenço.
Yolanda levantou a mão levemente, sinalizando para ela.
— Saia primeiro.
Ao chegar à porta do quarto, ela gentilmente alertou Alícia:
Alícia ergueu levemente as sobrancelhas. Embora surpresa com a rapidez dele, sabia que adiar as coisas poderia trazer riscos, quanto antes assinado, mais cedo o divórcio sairia.
Ela caminhou até ele e abriu o documento na página de assinaturas. O campo da esposa já estava assinado por ela.
Kylen nem olhou para o papel. Manteve os olhos fixos nela o tempo todo e disse com a voz rouca e grave:
— Caneta.
Alícia tirou uma caneta do outro bolso e a entregou.
Só então o homem desviou o olhar do rosto dela e pegou a caneta.
Alícia observava sem piscar. Não se sabia se Kylen estava realmente fraco demais, mas ele não segurou firme, a caneta escorregou de sua mão e caiu ao lado da cama.
Alícia instintivamente se curvou para pegar.
— Kylen, nem pense em fazer truques comigo...
Mas antes que ela pudesse endireitar o corpo, a mão grande do homem agarrou sua nuca, pressionando seu rosto para baixo, e ele beijou aquela boca que não parava de reclamar.

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