No instante em que os lábios se tocaram, a mente de Alícia ficou em branco. Como sua febre havia baixado há pouco tempo, ela ainda estava tonta, o que fez com que sua reação física atrasasse meio segundo.
Esse meio segundo de vantagem foi tomado por Kylen.
A mão dele controlava sua nuca, impedindo-a de escapar.
Nos olhos negros e profundos, alastrou-se um desejo cada vez mais denso.
Era como uma tempestade que se formara por muito tempo e explodia num único instante.
Kylen mordeu o lábio inferior dela e, no intervalo do grito de dor instintivo de Alícia, forçou a entrada entre seus dentes, enlaçando a língua dela com a sua de forma dominadora.
Com a outra mão, ele amassou o acordo de divórcio e o arremessou longe com raiva.
Sua mente estava cheia da imagem dela na neve e no gelo, mesmo à beira da morte, ela não esquecera de querer dissolver o casamento.
O que ela pensava que ele era? Casava quando queria, divorciava quando queria?
Sonho dela!
Ao pensar nisso, a fúria acumulada de Kylen parecia não encontrar saída para ser extravasada.
Para piorar, a mulher em seus braços ainda lutava.
As mãos inquietas dela batiam e arranhavam seu corpo. A humilhação que sentia fazia com que ele, o marido, parecesse um estranho cometendo uma violação.
O olhar de Kylen escureceu. Seus dedos quentes subiram da nuca para agarrar firmemente a parte de trás da cabeça dela, entrelaçando-se nos cabelos e massageando o couro cabeludo, enquanto o beijo avassalador a engolia.
De repente, ele prendeu o pulso de Alícia que estava erguido.
A caneta que ela segurava tinha a ponta afiada parada a menos de três centímetros do olho dele.
Kylen não desviou nem piscou. Encarou Alícia com um olhar gelado e sombrio, sem deixar de limpar com o dedo o brilho de saliva nos lábios vermelhos dela.
Alícia recuou, mas Kylen apertou seu queixo, virando o rosto dela para ele.
— Quer me matar?
— Você tem coragem? — Assim que a voz de Kylen soou, ele apertou o pulso dela e puxou a ponta da caneta violentamente dois centímetros para mais perto.
Numa fração de segundo, a cor do rosto de Alícia mudou. Ela soltou a mão, e a caneta rolou pela beira da cama até o chão.
Yolanda, ansiosa, ordenou à cuidadora que abrisse a porta.
No entanto, no segundo seguinte, Vinicius postou-se diante da porta, protegendo a maçaneta com a mão e impedindo a cuidadora de tocar nela.
— Sem a ordem do Diretor Lourenço, ninguém entra.
Yolanda disse com voz grave:
— Saia da frente! Kylen está ferido, não estou tranquila em deixá-lo sozinho com Alícia. Esqueceu como ela bateu no Hugo?
— A senhora não faria isso com o Diretor Lourenço — afirmou Vinicius com total certeza.
Um riso frio escapou dos lábios de Yolanda.
— Vinicius, você vai sair da frente ou não?
O jovem homem de expressão fria respondeu com distanciamento:
— Eu só obedeço às ordens do Diretor Lourenço.

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