A dita declaração não passava de uma mentira!
— Você não quer salvar Alícia? Então poste uma declaração nas redes sociais agora, na minha frente, dizendo que você e Alícia vão se divorciar em breve e que não sente nada por ela!
— Yolanda, você é realmente patética. — Antes que Kylen pudesse dizer uma palavra, Alícia, que ainda estava como refém, soltou uma leve risada.
— Cale a boca! — Yolanda a interrompeu de forma cruel.
— A certidão de casamento entre Kylen e eu é falsa. Nunca fomos marido e mulher de verdade. Como poderíamos nos divorciar? — Ainda assim, a voz de Alícia prosseguiu.
Ao perceber o sorriso autodepreciativo nos lábios de Alícia, Kylen fixou seus olhos escuros e insondáveis no rosto dela, e a mão que segurava a arma enrijeceu.
O cano da arma encostado em sua testa tremia, friccionando constantemente a área esfolada. Contudo, Alícia parecia não sentir dor; toda a sua atenção estava concentrada em Yolanda, na esperança de encontrar uma brecha.
— O que ela está dizendo é verdade? — Yolanda perguntou, ofegante.
A pergunta foi direcionada a Kylen.
— É verdade. — Os olhos escuros de Kylen estavam frios.
Yolanda caiu na gargalhada de repente. Riu até que as lágrimas começassem a escorrer por seu rosto.
Se fosse antigamente, ela ficaria tão feliz que se consideraria a pessoa mais afortunada do mundo.
Mas agora, ao enxergar com clareza os sentimentos de Kylen por Alícia — sentimentos que jamais poderiam ser rompidos, não importasse o que acontecesse —, ela compreendeu que aquilo era algo que ela não obteria em toda a sua vida.
Quão profundo deveria ser o amor de Kylen por Alícia para que ele aceitasse encenar um casamento falso com ela?
— Por que ele te ama tanto?! — Yolanda moveu o cano da arma da têmpora para a artéria carótida no pescoço de Alícia.
Kylen ergueu sua arma e apontou para Yolanda.
Seu rosto severo estava tenso. Em sua mente, passou a imagem do frágil Xiao Suanpan deitado na cama do hospital.
Xiao Suanpan ainda dependia do sangue de Yolanda para sobreviver.
— Por que, Alícia? Me diz por que ele te ama tanto! Por que você precisa monopolizar o amor dele? Vocês são inimigos, por que você simplesmente não morre?! — O corpo inteiro de Yolanda tremia incontrolavelmente, falando de forma desconexa, como se estivesse sucumbindo à loucura.
— Para te matar, eu mandei alguém te dopar! Você já deveria estar morta!
As lágrimas geladas caíram de seu queixo sobre as roupas de Alícia, emitindo pequenos estalinhos.


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