Alícia Serra lutava para despertar do sonho, mas, quanto mais se debatia, mais parecia haver uma rede se estreitando ao seu redor, sufocando-a aos poucos.
De repente, o som de buzinas de carros invadiu seus ouvidos, tornando-se cada vez mais ensurdecedor.
— Moço, vá mais rápido, por favor! Eu pago o dobro!
Ela o apressava, tomada pela ansiedade, com o coração batendo descompassado.
Para onde?
Para onde ela estava indo com tanta pressa?
O pânico avassalador a fez abrir os olhos abruptamente. As imagens que antes giravam em sua visão começaram a ganhar nitidez.
Ela ofegava pesadamente, olhando ao redor com apreensão, até perceber que estava em um restaurante de alta classe.
Uma melodia suave de piano ecoava pelo ambiente. O lugar parecia ter sido reservado com exclusividade; não havia um único cliente à vista, nem mesmo os garçons.
Ela apertou o peito com força, sem conseguir entender o motivo de estar tão ofegante, como se tivesse corrido uma maratona até ali.
— Você não ia viajar para o exterior? — Uma voz grave e familiar invadiu seus ouvidos.
Ela virou o rosto na direção da voz.
O homem estava sentado diante de uma mesa iluminada por velas. O contorno marcante de seu rosto parecia ainda mais profundo sob a luz trêmula. Seus olhos e sobrancelhas, embora frios e distantes, exalavam um charme inebriante, quase feérico.
Ao olhar para aquele rosto, o aperto em seu peito se intensificou, como se o coração estivesse prestes a saltar pela boca.
Ela abaixou a cabeça e percebeu que segurava um cartão de embarque. O destino marcado era a França.
A data... era de cinco anos atrás!
Ela havia acabado de concluir um projeto de pesquisa e planejava viajar para o exterior para relaxar.
Ela se lembrava disso, mas as memórias daquela quinzena no exterior eram um pouco turvas, pois havia sofrido um acidente e batido a cabeça. Havia sido Kylen Lourenço quem fora até lá para trazê-la de volta para casa.

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