Dito isso, ele e o Sr. Batista empurraram a cadeira de Alícia para dentro do quarto, um de cada lado.
A porta do quarto se fechou.
Kylen ficou observando a porta, abaixou levemente os olhos e, momentos depois, virou-se e foi embora.
Dentro do quarto, Narciso apertou a alça da cadeira e encarou a nuca de Alícia. Ela não dizia uma palavra; era impossível saber o que se passava em sua cabeça.
Ao chegar perto da cama, ele ajudou Alícia a se sentar. Ela se apoiou sem forças na cabeceira, ergueu o olhar para ele e disse: — Qualquer dia desses, se for possível, eu levo você para ver o Lan. Ele é muito bonzinho, já até sabe chamar "mamãe". Da próxima vez, vou ensiná-lo a falar "tio". Como ele é muito esperto, com certeza vai aprender rápido.
Kylen não havia lhe contado, mas na verdade era possível ver Lan através do monitor do lado de fora da câmara de isolamento. Se ele dissesse isso, no entanto, ela jamais arredaria o pé dali, não descansaria direito e seu corpo não se recuperaria.
Narciso abriu um sorriso e respondeu: — Fechado. Eu vou amar esse garoto como se fosse meu próprio filho, e no futuro ele vai cuidar do titio aqui na velhice.
Alícia não levou a sério aquela brincadeira boba.
Ele nem tinha completado vinte e seis anos. Falar em ser cuidado na velhice era um pensamento absurdo.
Com as mãos repousadas sobre a coberta, Alícia disse lentamente: — Acho que estou com um pouco de fome.
O rosto de Narciso iluminou-se de alegria, e ele trocou um olhar cúmplice com o Sr. Batista.
Justamente quando Narciso pediu para prepararem algo para Alícia comer, Hélder viu Vinicius do lado de fora da porta, retornando com uma bandeja nas mãos.
— Sr... Irmão J — disse ele, caminhando depressa para recebê-lo.
Vinicius lançou-lhe um olhar de soslaio: — Pegue.
— Eu não estou com fome... — retrucou Hélder rapidamente.
Antes que pudesse terminar, encontrou os olhos castanho-escuros de Vinicius semicerrados, encarando-o como se olhasse para um imbecil: — É para a senhora.

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