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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 86

— Meus óculos caíram.

A voz de Kylen estava um pouco rouca.

Depois de dizer isso, Alícia ouviu-o tossir duas vezes, reprimindo o som.

Alícia franziu a testa.

Naquele momento, a noite cobria completamente a floresta da montanha. O vale não estava em total escuridão apenas por causa do leve reflexo da neve acumulada.

Ela adaptou a visão à luz fraca e só então percebeu que os óculos na ponte do nariz de Kylen haviam realmente desaparecido.

O acidente de carro anos atrás deixara Kylen cego e, após recuperar a visão, restaram sequelas — uma anomalia na refração ocular.

Era semelhante ao astigmatismo, por isso ele precisava usar óculos.

Se ele poderia se recuperar totalmente no futuro, ainda era uma incógnita.

Portanto, sem os óculos e naquele lugar tão escuro, o atual Kylen não era diferente de um cego.

Ao cair da beira do penhasco na neve agora há pouco, seu cabelo havia se desarrumado. Alguns fios caíam sobre sua testa enquanto ele mantinha a cabeça baixa, parecendo se esforçar para perceber qualquer feixe de luz.

Vendo-o assim, Alícia lembrou-se de como ele era quando estava cego, anos atrás.

Ela reprimiu desesperadamente as emoções estranhas que surgiram, soltou um "ah" indiferente, largou a mão dele e se levantou.

Mas, assim que se ergueu, teve o pulso agarrado por Kylen. Como não conseguia ver, ele tateou desajeitadamente, e seus dedos longos entrelaçaram-se nos dela.

Assim que Alícia tentou se soltar, os dedos dele se curvaram imediatamente, prendendo a mão dela com firmeza.

Ele tossiu abafado mais algumas vezes, a voz ainda mais rouca.

— É mais seguro ficar ao meu lado.

De repente, Alícia fez um gesto para ele.

— Que número é este?

Kylen franziu o cenho e perguntou com voz grave: — O quê?

— Olha só, você não consegue nem ver que estou fazendo um "dois", que segurança é essa de ficar ao seu lado!

Enquanto falava, Alícia sacudiu a mão com força para se soltar.

Com o cair da noite, a temperatura no vale despencou.

Alícia tocou a testa, que estava um pouco quente, e suspirou impotente contra o paredão do penhasco.

O tempo passava, minuto a minuto. Alícia sentia a testa cada vez mais quente e o corpo cada vez mais frio, tremendo sem parar. Depois de soltar um suspiro de ar quente, ela nem tinha mais forças para abrir os olhos.

Ela fungou e levantou a mão com dificuldade para pressionar o ferimento na testa.

A dor a fez recuperar um pouco a lucidez.

Mas, ao se machucar, ela instintivamente inalou com força pela dor, e o som foi ouvido pelo homem à sua frente.

Ele caminhou em sua direção.

O joelho de Kylen quase bateu na cabeça dela. Alícia instintivamente tentou segurá-lo, mas teve a mão agarrada por ele.

Duas mãos igualmente geladas. Kylen havia dado o casaco a ela, então não estava em melhor situação.

Alícia usou toda a sua força, mas não conseguiu soltar a mão, pelo contrário, isso fez com que sua energia se esvaísse mais rápido. Ela cerrou os dentes, tremendo.

— Foi você quem matou o Hugo?

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