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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 85

— Alícia!

O som do vento zunia em seus ouvidos como o grito de fantasmas.

Alícia caiu do penhasco, despencando no vazio. A alucinação auditiva antes da morte era como uma faca afiada, cortando seu coração.

De repente—

Uma mão gelada agarrou firme a sua mão, detendo sua queda vertiginosa.

Seu coração parou junto com o corpo. Ela abriu os olhos vermelhos e, em meio à névoa cinzenta, viu o homem que se lançara para baixo, segurando-se em uma videira na parede do penhasco!

— Segure firme!

Alícia parecia ouvir o sangue jorrando de seu coração cortado.

Kylen!

Uma imagem passou por sua mente: aos sete anos, trancada no banheiro da escola, Kylen a tirando da beira da morte em meio à fumaça espessa, dizendo a todos que ela era da Família Lourenço e que ninguém poderia intimidá-la!

Mas...

Ele esqueceu o que disse. No fim, quem a feriu mais profundamente foi ele mesmo.

De repente, a videira cedeu um pouco.

Ela ficou presa por pouco em uma pedra saliente.

A mão de Kylen segurando a de Alícia estava branca de tensão. Seus olhos negros e profundos continham uma expressão que Alícia não conseguia decifrar.

Ele disse com voz grave:

— Segure em mim, ouviu bem?!

As videiras da encosta haviam secado com a chegada do outono. Castigadas pelo vento e pela neve, já não suportavam o peso de duas pessoas.

Os olhos de Alícia avermelharam-se.

Aquele homem tinha dito uma verdade.

Se ela morresse, não seria o desfecho perfeito para ele e Yolanda ficarem juntos?

Kylen, por que você faz isso?

O outro braço de Alícia pendia ao lado do corpo, ela não tentou segurar a mão de Kylen.

— Alícia! — A voz de Kylen foi rasgada pelo vento no crepúsculo. As veias da mão que a segurava saltavam.

A videira não aguentaria. Ele apoiou o pé na parede do penhasco e, ignorando a determinação suicida nos olhos de Alícia, começou a puxá-la para cima, centímetro a centímetro!

Mas, subitamente, a videira cedeu novamente.

Na beira do penhasco, Vinicius, mesmo ferido, lançou-se à frente. Com uma mão cravada na borda, esticou a outra para alcançar a mão de Kylen que segurava a videira.

Algumas pedras soltas caíram sobre a neve acumulada.

O cérebro de Alícia ficou em branco por um momento. Com muito esforço, ela conseguiu afastar um pouco o braço do homem que a envolvia pela cintura.

Mas no segundo seguinte, aquele braço se fechou abruptamente, com mais força do que antes, quase a fundindo ao corpo dele.

— Uh! — O ferimento na testa de Alícia bateu contra o peito dele, e ela gemeu.

Ouviram-se sons de movimento na neve, e Kylen se ergueu.

Primeiro, a mão dele tocou o ombro dela. Em seguida, um casaco, ainda com o calor do corpo dele, foi colocado sobre seus ombros.

Alícia ficou atônita. Logo sentiu as mãos dele tateando-a na escuridão.

Ele não dizia uma palavra, nem mesmo um suspiro.

Apenas a tocava por todo o corpo em silêncio.

— O que você está fazendo?!

Alícia segurou com força a mão que tateava em direção ao seu peito.

Ela sabia, claro, que Kylen não seria um tarado numa hora daquelas, mas aquele silêncio enquanto a tocava a deixava arrepiada.

A mão que ela segurou moveu-se um pouco, mas não tentou se soltar com força. A palma repousou na lateral de sua cintura e parou, imóvel.

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