— Alícia!
O som do vento zunia em seus ouvidos como o grito de fantasmas.
Alícia caiu do penhasco, despencando no vazio. A alucinação auditiva antes da morte era como uma faca afiada, cortando seu coração.
De repente—
Uma mão gelada agarrou firme a sua mão, detendo sua queda vertiginosa.
Seu coração parou junto com o corpo. Ela abriu os olhos vermelhos e, em meio à névoa cinzenta, viu o homem que se lançara para baixo, segurando-se em uma videira na parede do penhasco!
— Segure firme!
Alícia parecia ouvir o sangue jorrando de seu coração cortado.
Kylen!
Uma imagem passou por sua mente: aos sete anos, trancada no banheiro da escola, Kylen a tirando da beira da morte em meio à fumaça espessa, dizendo a todos que ela era da Família Lourenço e que ninguém poderia intimidá-la!
Mas...
Ele esqueceu o que disse. No fim, quem a feriu mais profundamente foi ele mesmo.
De repente, a videira cedeu um pouco.
Ela ficou presa por pouco em uma pedra saliente.
A mão de Kylen segurando a de Alícia estava branca de tensão. Seus olhos negros e profundos continham uma expressão que Alícia não conseguia decifrar.
Ele disse com voz grave:
— Segure em mim, ouviu bem?!
As videiras da encosta haviam secado com a chegada do outono. Castigadas pelo vento e pela neve, já não suportavam o peso de duas pessoas.
Os olhos de Alícia avermelharam-se.
Aquele homem tinha dito uma verdade.
Se ela morresse, não seria o desfecho perfeito para ele e Yolanda ficarem juntos?
Kylen, por que você faz isso?
O outro braço de Alícia pendia ao lado do corpo, ela não tentou segurar a mão de Kylen.
— Alícia! — A voz de Kylen foi rasgada pelo vento no crepúsculo. As veias da mão que a segurava saltavam.
A videira não aguentaria. Ele apoiou o pé na parede do penhasco e, ignorando a determinação suicida nos olhos de Alícia, começou a puxá-la para cima, centímetro a centímetro!
Mas, subitamente, a videira cedeu novamente.
Na beira do penhasco, Vinicius, mesmo ferido, lançou-se à frente. Com uma mão cravada na borda, esticou a outra para alcançar a mão de Kylen que segurava a videira.
Algumas pedras soltas caíram sobre a neve acumulada.
O cérebro de Alícia ficou em branco por um momento. Com muito esforço, ela conseguiu afastar um pouco o braço do homem que a envolvia pela cintura.
Mas no segundo seguinte, aquele braço se fechou abruptamente, com mais força do que antes, quase a fundindo ao corpo dele.
— Uh! — O ferimento na testa de Alícia bateu contra o peito dele, e ela gemeu.
Ouviram-se sons de movimento na neve, e Kylen se ergueu.
Primeiro, a mão dele tocou o ombro dela. Em seguida, um casaco, ainda com o calor do corpo dele, foi colocado sobre seus ombros.
Alícia ficou atônita. Logo sentiu as mãos dele tateando-a na escuridão.
Ele não dizia uma palavra, nem mesmo um suspiro.
Apenas a tocava por todo o corpo em silêncio.
— O que você está fazendo?!
Alícia segurou com força a mão que tateava em direção ao seu peito.
Ela sabia, claro, que Kylen não seria um tarado numa hora daquelas, mas aquele silêncio enquanto a tocava a deixava arrepiada.
A mão que ela segurou moveu-se um pouco, mas não tentou se soltar com força. A palma repousou na lateral de sua cintura e parou, imóvel.

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