— Você já ouviu falar de uma outra interpretação sobre a morte que circula na internet? — O olhar de Alícia passou novamente pela mão direita dele, que afrouxara ligeiramente.
O homem levantou a cabeça e olhou para ela, confuso.
— A morte não é o fim. É quando você acorda e a Liana já foi trabalhar. Quando você está comendo, a Liana foi correr. Quando você vai procurá-la, ela acabou de voltar para casa. A Liana continua vivendo ao seu lado, nunca partiu. Você só não consegue vê-la.
— Mas ela com certeza consegue ver você. Tudo o que você está fazendo agora, ela pode ver.
— A Liana está mesmo vivendo ao meu lado? — O homem olhou ao redor, perdido. O céu estava mais escuro, e a temperatura na montanha caía drasticamente, deixando tudo cinzento.
Alícia segurou o pescoço dolorido e assentiu com firmeza.
— Claro.
— Você trouxe o bolo que ela mais gosta, ela também vai conseguir comer.
— Você disse que ela gostava de acender velas antes de comer o bolo, não é? — Alícia falou com voz doce, como uma irmã mais velha guiando-o. — Venha, vamos acender as velas, está bem?
Kylen ficou tenso.
Os olhos do homem, ainda cheios de lágrimas, olharam para Alícia com uma mistura de confusão e esperança.
Alícia segurou a mão esquerda dele com cautela e o guiou em direção à lápide.
— Azul é a cor que ela gosta? — Alícia perguntou baixinho.
O homem assentiu, e um leve sorriso pareceu surgir em seu rosto.
— A Liana disse que, depois de morrer, queria ficar num lugar onde pudesse ver o azul mais bonito. Este foi o lugar de descanso que encontrei para ela.
— É lindo. Na próxima primavera, isso aqui vai estar cheio de flores. Nenhuma garota desgosta de flores, a Liana também gosta, não é?
O homem assentiu, soluçando.
Alícia o levou até a frente da lápide.
O isqueiro também havia sido tomado por ele. Se ela tentasse tomar o detonador e o isqueiro continuasse na mão dele, eles ainda estariam condenados.
Alícia soltou a mão esquerda dele e pegou o bolo azul do chão.
— Coloque as velas para a Liana você mesmo, ela vai ficar muito feliz.
A vela apagou.
A ilusão de Liana desapareceu diante dos olhos do homem.
Kylen não hesitou e disparou!
No momento em que Alícia correu para a borda do penhasco e jogou o detonador, ouviu-se o som do tiro.
Ela olhou para trás e ouviu a voz do homem, cheia de desespero e tristeza:
— Liana, estou indo te encontrar!
O sangue de Alícia gelou nas veias. Ele ainda tinha um detonador!
Um estrondo ensurdecedor, seguido por um clarão de fogo!
A forte explosão fez o topo da montanha tremer.
Na borda do precipício, entre cascalho e pedras soltas, Alícia escorregou. Com o tremor violento, ela perdeu o equilíbrio e caiu no abismo...

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