Os olhos do homem transbordavam ressentimento. Ele agarrou o pescoço de Alícia com força, os dedos se fechando impiedosamente.
Aquele homem feito chorava enquanto rangia os dentes:
— Vocês cresceram com vidas privilegiadas, com inúmeros caminhos brilhantes à escolha. Tinham tudo o que queriam. Por que não deram uma chance para mim e para a Liana viverem?!
Faltava tão pouco. Ele poderia ter salvado Liana.
— Você acha... — O corpo frágil de Alícia foi erguido pelo homem. O aperto bloqueava todo o ar. Com os olhos vermelhos, ela tentava desesperadamente afastar a mão dele. — Que eu sou muito mais sortuda que você? Pelo menos você tem uma Liana que te ama. E eu? Eu vivo como a Sra. Lourenço, mas sou tratada pior que um cachorro.
O corpo de Alícia balançava na mão do homem, como se o vento pudesse quebrá-la ao meio.
Os punhos de Kylen estavam brancos de tanto apertar, e uma aura assassina emanava dele.
Pior que um cachorro...
Julian olhou para Kylen com uma expressão grave.
Mas eles não podiam agir precipitadamente.
Alícia tinha acabado de sinalizar com os olhos, e eles entenderam que o homem a trouxera ali para morrerem juntos.
Se soubesse que isso aconteceria, Kylen a teria levado pessoalmente até a porta de casa.
Mas agora era tarde demais para arrependimentos.
A voz de Alícia foi sumindo:
— Eu entendo a dor de perder a Liana...
— Você não entende nada! Vocês, ricos, não sabem o que é amar. Nunca amaram ninguém de verdade, como podem entender a dor de perder a Liana?!
O vento soprava no rosto pálido de Alícia.
Uma lágrima, levada pelo vento frio, caiu sobre as costas da mão do homem. Ele estremeceu levemente.
Porque ele viu nos olhos de Alícia uma tristeza profunda, idêntica à que Liana tinha no olhar quando morreu em seus braços.
Tão desoladora.
O olhar de Alícia varreu rapidamente a mão direita dele, que segurava o detonador.
— Porque ela era uma garota bondosa. Ela não queria ser um fardo para você, não queria ver você sofrendo tanto por ela.
— Mas eu não sofria! — O homem socou o próprio peito, como se só assim pudesse conter a dor avassaladora. — Para salvá-la, eu aguentaria qualquer sofrimento!
— Mas você não é a Liana, você não a entende. — O tom de Alícia era suave.
Mas cada palavra carregava força.
— Se não estou enganada, o que ela queria era que você vivesse bem. Alguém tão bondosa como ela certamente amava alguém também bondoso. Você não vai decepcionar a Liana, vai?
Se ele estivesse totalmente insano, já teria detonado a bomba e levado todos para o inferno há muito tempo.
"Cada dívida tem seu credor". Alícia agradecia por ele ainda ter um resquício de "consciência".
O homem chorou dolorosamente:
— Mas ela morreu... Eu nunca mais vou vê-la...

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