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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 80

Ele cerrou os molares, engasgado pelo choro.

— Mas o Hugo morreu. Eu não tinha como conseguir tanto dinheiro em tão pouco tempo. Para não ser um fardo para mim... a Liana cortou os pulsos e se matou!

Alícia sentiu o couro cabeludo formigar. Ela tateou até encontrar o isqueiro caído no chão e o apertou com força na palma da mão.

— Expus aquele clube porque o Hugo prejudicava inúmeros menores de idade. Fiz aquilo para salvar mais pessoas. Quanto à morte dele, foi inteiramente culpa dele, não teve nada a ver comigo.

— Nada a ver com você? — O rosto do homem, que antes parecia vagamente delicado, tornou-se hediondo e assustador após o choro. — Se você não tivesse exposto o clube, ele não teria sido fechado e eu não teria perdido minha fonte de renda! Você diz que foi para salvar mais pessoas, mas eu só sei que o Hugo me deu uma saída, me deu dinheiro! Ele poderia ter salvado a Liana! Foi você quem insistiu em destruir esse caminho e cortar a chance de vida da Liana!

Alícia franziu a testa.

Ela percebeu que aquele homem havia perdido a razão com a morte de Liana, preso em um beco sem saída mental do qual não conseguia sair.

— Embora eu não conheça a Liana, vendo a foto dela imagino que ela devia ser uma garota muito bondosa. — Alícia diminuiu a velocidade da fala. — Ela certamente não gostaria de ver você fazendo essas coisas pelo Hugo, não é?

O homem puxou o cabelo com força, rindo e chorando alternadamente, falando coisas desconexas.

— A Liana foi a garota mais bondosa que já conheci. Crescemos juntos no orfanato, eu sempre gostei dela desde pequeno. Eu ganhava dinheiro para ela estudar. A Liana era muito inteligente, aprendia tudo rápido, mas Deus não a perdoou, fez com que ela tivesse aquela doença... Ela gostava de comer bolo, sim... bolo!

O homem caminhou cambaleando até a lápide e ajoelhou-se diante do bolo azul-celeste.

— Ela gostava de acender velas antes de comer bolo, não importava se era aniversário ou não, acender velas... Onde está meu isqueiro?

O homem de repente se jogou no chão, procurando freneticamente pelo isqueiro. De súbito, fixou o olhar em Alícia, avançou sobre ela e, de fato, encontrou o isqueiro na palma da mão dela, vendo também as marcas de queimadura na corda de sisal que prendia os pulsos de Alícia!

— Vadia! — O homem desferiu um tapa violento nela.

Alícia caiu no chão com o impacto, metade do rosto perdeu a sensibilidade.

Seus ouvidos zumbiam e ela via estrelas.

— Todos para trás, ou eu mato ela agora!

— Isso é um acerto de contas entre mim e ela, não tem nada a ver com vocês!

O vento frio fazia a bainha do casaco de Kylen bater com força, ele permanecia ereto como um pinheiro entre as paredes íngremes da montanha.

Ele encarou Alícia, e uma emoção complexa passou pelo fundo de seus olhos.

— A promessa que o Hugo fez no hospital era como a última gota de esperança a que você se agarrou pela sua amada. Mas a morte do Hugo fez essa esperança desaparecer completamente, levando ao suicídio dela.

O olhar de Kylen varreu o rosto sem sangue de Alícia, e sua voz grave carregava um frio cortante:

— Você errou o alvo da sua vingança.

— Porque fui eu quem matou o Hugo.

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