Alícia congelou. Seu rosto, que já estava pálido, perdeu completamente a cor, tornando-se branco como papel enquanto ela encarava o homem à sua frente com incredulidade.
Seus ouvidos ainda zumbiam, e as palavras de Kylen misturavam-se ao som, irreais como um pesadelo.
Hugo...
Foi ele quem matou!
— Impossível! — O homem que a mantinha refém hesitou por um instante, mas logo a vergonha se transformou em fúria, e ele rugiu, rangendo os dentes. — Hugo morreu de overdose! Você acha que dizendo isso vai desviar o foco para você e conseguir salvar essa mulher?
Ele segurava Alícia com um braço e, com a outra mão, apontava a adaga para o homem à frente.
— Para trás! Todos para trás!
A lâmina afiada aproximou-se novamente do pescoço de Alícia, traçando um fio de sangue em sua pele delicada.
O olhar de Kylen endureceu. Ele ergueu ligeiramente a mão, sinalizando para Vinicius, Julian e os outros não agirem precipitadamente.
O pescoço fino, agora manchado de sangue, parecia ainda mais pálido. Era evidente o terror e o frio que ela havia suportado desde que fora trazida para aquele lugar, seu corpo não aguentaria por muito mais tempo.
Da cabeça aos pés, ela estava ferida: o corte na testa, as marcas de dedos no rosto onde levara um tapa, o corte da adaga no pescoço, as palmas das mãos esfoladas pelo cascalho.
— Kylen... você não sabe que eu tenho muito medo de dor?...
Um brilho sombrio passou pelos olhos de Kylen.
— Você não sabia? Aquela seringa que não foi totalmente injetada tinha noventa e nove por cento de pureza. Ninguém suportaria tal pureza, muito menos Hugo, que era um usuário experiente. Você acha mesmo que ele injetaria aquilo no próprio corpo?
Alícia sentiu o braço que a prendia enrijecer.
Claramente, as palavras de Kylen plantaram uma semente de dúvida no homem. Mas, rapidamente, ele retrucou com voz áspera:
— Mesmo que o que você diz seja verdade, a irmã do Hugo é a mulher que você ama. Como você poderia matar o Hugo?
Naquela noite em que Alícia invadiu sozinha a festa de aniversário de Hugo, todos os presentes sabiam que Hugo mandara bater nela. Kylen não só ignorou o fato, como protegeu os agressores.
— Se eu a amo ou não, isso não muda o fato de que ela é minha esposa. Quem ousa bater na minha cara merece ser punido. Como homem, você deveria entender meu sentimento.
O olhar do sequestrador vacilou, e a mão que segurava a adaga tremia de emoção.
Kylen fixou o olhar na lâmina.
— Alícia foi apenas o catalisador. Quem matou Hugo fui eu. Eu fui a última gota que arruinou a chance de salvar sua amada. Se Hugo não morresse, você continuaria ganhando muito dinheiro e sua amada não morreria.
O homem murmurou:
— Se Hugo não morresse, a doença da Liana teria cura... Quem matou Hugo é o culpado pela morte da Liana!
Ele apontou a adaga para Kylen e gritou histericamente:
— Foi você!

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