Alícia olhou instintivamente para o nome na lápide.
Liana Menezes
Havia uma foto na lápide negra.
A garota tinha a pele muito clara, traços delicados e uma expressão gentil nos olhos e sobrancelhas, sorrindo para a câmera.
Alícia tinha certeza de que não conhecia a garota da foto chamada Liana.
Quem era ela, afinal?
E mais—
Alícia, com o corpo enrijecido pelo vento frio, cerrou os dentes que batiam e olhou ao redor, confusa.
Para onde quer que olhasse, além da floresta seca e das paredes íngremes da montanha, o vento uivava como se alguém estivesse chorando. Tudo o que ela conseguia ver era aquele túmulo solitário.
Ali não era um cemitério público!
Uma montanha deserta como aquela certamente ficava longe da Cidade Linvar.
O que ela sabia com certeza era que fora raptada por volta das duas da tarde. Ela estava em um lugar ermo, o céu estava cinzento e a noite logo cairia. O que aquele homem pretendia fazer trazendo-a para cá?
— Venha aqui!
De repente, o homem puxou o braço de Alícia e chutou a parte de trás do joelho dela. O corpo de Alícia, que já estava curvado, caiu de joelhos no chão com o impacto.
No clima gelado, o osso do joelho batendo no chão causou uma dor lancinante. Alícia arfou de dor.
— Quem é você afinal? O que você quer?
Trazê-la para um lugar desses definitivamente não era por dinheiro.
O homem não disse uma palavra. Ele pousou suavemente a mochila preta que carregava no chão e abriu o zíper. De dentro, tirou um bolo decorado azul-celeste de cerca de dez centímetros.
Ele colocou o bolo diante da lápide, ajoelhou-se no chão e enfiou a mão no bolso do casaco, tirando um isqueiro.
O vento na montanha era forte. Ele acendeu o isqueiro várias vezes, mas a chama era apagada instantaneamente pelo vento. O homem tentou repetidamente, no início teve paciência, mas depois, sem conseguir acender o fogo, seu rosto sombrio gradualmente revelou tristeza. Chorando, ele atirou o isqueiro longe.
O objeto caiu exatamente ao lado da perna de Alícia.
O homem soltou um riso leve e maníaco, virou-se e tirou uma corda de sisal da mochila, amarrando as mãos de Alícia.
— Você diz que estou enganado? — Ele empurrou Alícia, que agora estava com as mãos atadas.
Com as mãos presas nas costas, Alícia perdeu o equilíbrio e caiu. Enquanto o mundo girava, ela viu o homem tirar uma garrafa de bebida da mochila. Ele tomou um gole primeiro e derramou todo o resto diante da lápide.
— Foi você quem expôs o clube do Hugo, não foi?
O coração de Alícia se contraiu violentamente.
Então, essa pessoa conhecia o Hugo.
Ela não disse nada, e o homem não se importou, continuando a falar sozinho:
— A Liana ficou gravemente doente e precisava de uma grande quantia para o tratamento. Eu trabalhava com o Hugo, e no primeiro mês ele me deu cinquenta mil. Eu vi uma esperança. Faltava tão pouco para eu conseguir curar a Liana, mas foi você!
O homem quebrou a garrafa na frente de Alícia e apontou para ela, com o rosto banhado em lágrimas.
— Foi você quem se intrometeu e expôs aquele clube, fazendo com que fosse fechado! Sem o dinheiro, não havia como tratar a doença da Liana! Enquanto o Hugo estava internado, eu implorei muitas vezes, bati cabeça no chão na frente dele, imitei cachorro latindo, até finalmente deixá-lo feliz e ele prometer que me deixaria continuar trabalhando com ele quando saísse do hospital.

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