Alícia soltou um som de descrédito e subiu o vidro do carro.
Dirigiu de volta à Mansão Lourenço, Lívia ainda não tinha acordado da sesta.
À noite, Enrique dirigiu até o 'Ébrio da Noite'. Olhou para as vagas de estacionamento e viu que o carro de Kylen já estava lá.
Ele desceu do carro, pegou o envelope lacrado que Alícia lhe dera no banco do passageiro e, com o sobretudo aberto, entrou no saguão a passos largos.
Ao entrar na sala privada, viu que os velhos amigos estavam lá, não eram muitos, umas sete ou oito pessoas.
Enrique logo avistou Kylen sentado no sofá, segurando um copo de bebida.
Diferente dos habituais ternos e sobretudos, Kylen vestia uma jaqueta marrom-escuro. Além da maturidade e profundidade, havia uma certa suavidade discreta.
Mas tudo isso era fachada, Enrique sabia bem que aquele homem matava sem piscar.
No entanto, era preciso admitir: Kylen, fosse de terno ou roupa casual, tinha uma aparência enganosa. Não era à toa que deixava a Alicinha completamente encantada.
No círculo deles não faltavam homens e mulheres bonitos, mas alguém com a beleza de Kylen era raridade, sem falar em seu corpo, riqueza e imponência.
Enrique cumprimentou os outros na sala e foi até Yolanda, dizendo para ela comer alguma coisa se não fosse beber.
Yolanda havia salvado a vida de Kylen no passado, então, para o grupo de amigos, ela também era considerada uma salvadora, e naturalmente a tratavam bem.
Enrique foi até Kylen e lhe entregou o envelope lacrado. — Aqui, a Alicinha pediu para te entregar.
Julian, que estava sentado perto de Kylen, olhou. Do outro lado da mesa, o olhar de Yolanda era indiferente.
Kylen, por sua vez, lançou um olhar frio para o envelope.
Vendo que ele não fazia menção de pegar, Enrique sentou-se ao lado dele. — Não foi você que pediu? Trouxe para você e agora não pega, que mania chata.
Enrique fez menção de abrir o lacre do envelope.
Mas Kylen arrancou o envelope da mão dele.
Enrique riu, tinha feito aquilo de propósito.
Viu só? Queria, mas fingia que não se importava. Morria se não fingisse?
Um pouco depois, Vinicius entrou na sala. — Diretor Lourenço.
Faíscas voaram onde as latarias colidiram!
Vinicius segurou o volante e, após o carro ser jogado para o lado, fez uma manobra precisa e o veículo parou.
A estrada ficou silenciosa, ouvindo-se apenas o som do vento.
O celular de Kylen tocou.
Era um número desconhecido.
Kylen tinha um corte na testa devido ao impacto.
Ele levantou os olhos frios para o carro em frente. O homem no banco do motorista, usando uma máscara preta e segurando o celular, deslizou o dedo na tela, atendendo a chamada.
Uma voz com tom de malandro, mas cheia de ameaça, soou: — Kylen, essa é a sua lição por ajudar gente de fora em vez dela.
Através do para-brisa, Kylen segurava o celular, encarando com um olhar sombrio o homem no SUV à sua frente.
Narciso!

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