Tarde da noite.
Alícia cuidou de Lívia, preparando um escalda-pés e conversando um pouco com ela. Só se levantou para sair quando Lívia recostou-se na cabeceira, sonolenta.
— Alícia... — Lívia segurou a mão dela.
Alícia parou e sentou-se novamente na beira da cama. — Vovó?
Ela estava com os olhos semicerrados, parecendo exausta, e sua voz estava um pouco rouca. — Alícia, a vovó sabe que você sofreu injustiças. Você poderia não ficar brava com o Kylen? Eu sei que a dívida de gratidão da Família Lourenço com a Yolanda não deveria envolver você, mas a vovó espera que você e o Kylen não se deixem influenciar por fatores externos e continuem juntos.
Preocupada que Alícia não concordasse, Lívia esforçou-se para abrir os olhos e deu leves tapinhas na mão dela.
— Pode ser?
Hoje, ao se encontrarem no hospital, Kylen e Alícia não trocaram uma palavra sequer.
Mesmo nos três anos anteriores, nunca tinha sido assim.
Alícia não era do tipo que engolia desaforos em silêncio. Ao flagrar Kylen e Yolanda juntos, como poderia aceitar aquilo calada?
Alícia apenas baixou a cabeça, sem dizer nada.
Aquela atitude, aos olhos de Lívia, parecia indicar que ela tinha tomado uma decisão irrevogável.
Mas, no segundo seguinte, ao notar a expressão abatida da idosa, Alícia sorriu e disse: — Eu vou resolver tudo, vovó, pode ficar tranquila. Durma logo, eu vou indo, tenho que trabalhar amanhã.
Lívia pareceu um pouco mais aliviada. — Já está tarde, vou pedir ao Sr. Batista para preparar um carro e te levar de volta ao Jardim Sombrio.
Alícia: — Eu posso ir dirigindo...
— Você também está cansada hoje, não fico tranquila com você dirigindo sozinha. — Lívia a interrompeu e chamou o Sr. Batista.
Alícia não tinha contado à avó que já havia se mudado do Jardim Sombrio, caso contrário, ela certamente desconfiaria de algo.
Embora o check-up de hoje não tivesse mostrado problemas nos resultados imediatos, ainda havia alguns exames cujos resultados só sairiam em alguns dias.
Lívia estava visivelmente doente e não devia se preocupar com tantas coisas.
A sala, que deveria estar em total escuridão, estava iluminada, e na entrada havia um par de botas de montanhismo masculinas!
A respiração de Alícia parou por um instante, até que viu o homem sentado no sofá: corpo robusto, cabelo cortado rente, máscara puxada até o queixo e um hematoma na testa, mas ainda assim excessivamente bonito.
— Narciso? — Alícia achou que estava tendo alucinações àquela hora da noite.
Narciso estava filmando nas florestas remotas do noroeste, era impossível ele aparecer em Cidade Linvar àquela hora. E antes disso não houve nenhum telefonema, o que não condizia com o estilo dele de exigir que alguém o fosse buscar.
Narciso estava com a cara fechada. — O que foi? Achou que tinha visto um fantasma?
Aquele tom de voz... só podia ser o próprio Narciso.
Alícia suspirou aliviada, fechou a porta atrás de si, pegou os chinelos no armário para calçar e, enquanto pendurava a bolsa, perguntou: — Quando você voltou? Por que não me ligou?
Narciso não respondeu. Sentado no sofá com as pernas abertas, ele ficou encarando Alícia em silêncio desde que dissera a última frase.
Alícia sentiu um arrepio com aquele olhar. Desviou os olhos para a testa dele e apontou para o hematoma. — Machucou filmando?

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