Kylen encarou o sorriso irritante nos lábios de Alícia e, com o rosto fechado, soltou o pulso dela.
— Ah, esqueci, eu ainda sou sua esposa oficial. — A vergonha e a raiva de Alícia por ter sido beijada à força desapareceram sem deixar vestígios.
Foram substituídas por um escárnio absoluto.
— A Yolanda realmente te ama demais. Uma herdeira de prestígio, que já foi a socialite mais cobiçada de Cidade Linvar, aceitando ser sua amante. Só de pensar nisso seu coração deve doer, não é?
Ela ergueu os olhos e olhou para a bela mulher ao longe, sentada na cadeira de rodas, com uma gaze na testa e uma expressão digna de pena.
Alícia desviou o olhar e disse a Kylen: — A propósito, anteontem à noite, quando você me deixou no Jardim Sombrio, saiu com pressa e não viu o acordo de divórcio na mesa de cabeceira do quarto principal e na mesa do escritório. Lembre-se de assinar quando for para casa. Qualquer cópia serve, eu já assinei todas.
Vendo a expressão de Kylen ficar cada vez mais sombria, Alícia sentiu um prazer indescritível.
— Mas se você não voltou para lá, não tem problema. Há alguns dias enviei uma cópia por correio expresso para sua empresa, você pode assinar aquela também.
— Alícia, cala a boca! — A expressão de Kylen estava extremamente carregada.
Ele não queria ouvir, mas ela fazia questão de falar, e não apenas falar, mas enfatizar cada vez mais as palavras 'acordo de divórcio'.
— Mesmo que você rasgue todos os acordos, não tem problema. Eu assinei várias cópias, alguma delas há de chegar às suas mãos.
— Se quer que eu cale a boca, apenas assine obedientemente.
— Caso contrário, não me importo de pegar um megafone e ir para a frente do Grupo Financeiro Lourenço gritar todos os dias para você assinar.
Alícia empurrou com força Kylen, que bloqueava seu caminho, e notou pelo canto do olho que os dedos dele se moveram.
— Kylen, a Yolanda ainda está lá te esperando. Se você ousar me tocar, não tem medo de que...
Kylen segurava Alícia diante da porta do elevador quando, aproveitando a distração, Alícia cravou os dentes no pescoço dele.
A mordida foi forte. Os músculos de Kylen se retesaram e seu aperto afrouxou por um instante. Alícia girou o corpo, escapou dos braços dele e correu sem hesitar.
Kylen ficou parado do lado de fora do elevador, com o olhar profundo fixo na direção em que Alícia fugira. Com uma mão pressionando o local da mordida no pescoço, sua respiração pesou.
A marca dos dentes estava profunda.
Se não tivesse corrido com tanta pressa, ela provavelmente teria tentado arrancar um pedaço dele.
O som suave de rodas girando veio de trás.
Antes mesmo de Kylen se virar, ouviu a voz gentil de Yolanda: — Kylen, eu quero ir embora, você pode me levar?

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