O sono de Alícia desapareceu instantaneamente, e ela sentou-se na cama.
Os longos cabelos caíram sobre os ombros, cobrindo metade do seu rosto. Ela respirou fundo algumas vezes, jogou o cabelo para trás e esfregou o rosto com força.
Hugo era um lixo. Se ele morreu ou não, não tinha nada a ver com ela.
Antes que ela expusesse os segredos do clube de Hugo, ele e seus amigos degenerados não se sabe quantos jovens tinham prejudicado. A morte de um canalha desses não era digna de pena.
Mas o ponto crucial era que, durante o dia, Alcides tinha dito que a ajudaria a acabar com Hugo. Tinha passado apenas meio dia e Hugo estava morto.
Isso a forçava a conectar o fato a Alcides.
Assassinato...
Um arrepio tomou conta de Alícia.
Ela puxou o cobertor para envolver o corpo, abriu a lista de contatos no celular, encontrou o número de Alcides e ligou diretamente.
O telefone tocou duas vezes e foi atendido.
— Alícia?
A voz masculina do outro lado da linha soava com uma preguiça rouca. — Você sabe que acordar um homem no meio da noite tem um preço? Sabe que horas são agora?
— Tenho uma pergunta para você. Preciso escolher hora para isso?
Alícia respirou fundo. — A morte do Hugo tem algo a ver com você?
— Ah, então foi ele. — Ela ouviu Alcides soltar um suspiro, devolvendo a pergunta com um tom significativo: — Você gostaria que tivesse algo a ver comigo?
— Você é doente? — Alícia disse com o rosto frio. — Dá para falar sério?
— Olha só para você, já ficou brava. — Alcides riu. — E se eu disser que fui eu quem fez isso?
Alícia massageou as têmporas.
Ela se lembrava de que, quando criança, Alcides não era assim. Quanto mais velho ficava, mais gostava de fingir, deixando as pessoas confusas.
Mas, pela reação de Alcides, ele já sabia que Hugo estava morto.
Eram as pessoas que ela contratara ontem de uma empresa de segurança.
Ontem, Hugo a provocara repetidamente, e ela, para proteger sua própria segurança, teve que tomar algumas medidas.
Esses homens estavam lá para protegê-la.
Agora que Hugo estava morto, não precisava mais deles.
Alícia trancou a porta e perguntou: — Vocês notaram algo anormal desde que começaram a me seguir ontem? Ou se alguém me seguiu?
— Ontem à noite, por volta das dez e meia, havia de fato pessoas suspeitas rondando o térreo do condomínio. Como a senhora devia estar descansando, não a incomodamos. Mas depois aquelas pessoas desapareceram.
Alícia assentiu. Provavelmente eram homens de Hugo.
Quanto ao motivo de terem desaparecido depois, ela não se importava nem queria saber, desde que ela estivesse bem.
— Podem ir. Obrigada pelo trabalho.

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