Yolanda jamais tirou os olhos de Alícia.
Uma vez que todos os acessos a Cidade Linvar haviam sido selados, aquilo certamente era obra conjunta da Família Lourenço e da Família Simões.
Eles poderiam surgir a qualquer instante das sombras para resgatá-la.
Como o embarque no helicóptero precisava ser ágil e o tempo corria contra eles, a barreira defensiva inevitavelmente teria falhas.
Seu plano macabro envolvia esperar o frenesi da decolagem. No exato instante em que as portas se fechassem, ela estriparia Alícia com um canivete suíço e empurraria seu corpo para fora da cabine, deixando-a rolar até a morte no abismo do outro lado do morro.
Focada unicamente na prisioneira, foi a primeira a notar a arma sendo roubada das costas de Saulo.
No átimo de segundo em que a outra disparou contra Gustavo, Yolanda puxou o revólver de um guarda-costas próximo e o usou friamente como escudo humano.
As rajadas vindas da floresta fuzilaram o guarda-costas. Com o cadáver tombando pesadamente, ela simplesmente descartou o escudo ensanguentado e lançou-se sobre Alícia, dominada por uma insanidade furiosa.
— Morra!
Com que direito Alícia monopolizava o amor de Kylen?
Ela daria qualquer coisa para desvendar o êxtase de ser amada por um homem como ele!
Kylen não ansiava por purgar a escória das fronteiras?
Uma gangrena tão massiva que até as forças nacionais se viam impotentes perante ela.
Mas ela poderia ser a peça-chave.
Se ele apenas desejasse, ela moveria céus e terras para servi-lo... Em troca de uma mísera gota de seu afeto.
E ainda assim, no passado e no presente, os olhos dele eram cativos unicamente de Alícia!
Será que a única forma de ser notada era apagando a rival da face da Terra?
Será que sobre o túmulo de Alícia repousaria a esperança de ele voltar seu olhar para ela?
O Kylen dela... Ele pertencia a ela!
Os pássaros de ferro rugiam acima deles, varrendo a montanha com imensos holofotes caóticos.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!