Um épico combate aéreo se desenrolava, trucidando as chances de Gustavo embarcar.
O sangue brotava caudaloso do braço de Saulo enquanto ele oferecia cobertura ao seu líder.
— Sr. Soares, é melhor recuarmos para a mata.
Contudo, as fileiras de Kylen multiplicavam-se em progressão assustadora. Os reforços convocados por Soares rasgavam o arvoredo, convergindo desesperados para a zona de conflito.
A prioridade máxima era escudar o Sr. Soares até encontrarem refúgio contra o granizo de balas.
A mão ensanguentada de Saulo tateou o fundo das costas e sacou um explosivo compacto. O olhar de Gustavo irradiou uma crueldade gélida.
— Exploda o Kylen!
O artefato sibilou, liberando um fio de fumaça alva antes de detonar com fúria titânica sob o luar fantasmagórico.
Um zumbido esmagador ecoou pelos tímpanos de Alícia. A seguir, um braço vigoroso laçou o seu corpo, enquanto uma palma larga e quente moldava a nuca para protegê-la.
Uma segunda explosão, de força colossal, rasgou os ares, desencadeando uma onda de choque avassaladora que lançou os sobreviventes ao redor do pico para o espaço vazio.
Alguns desabaram mortos no próprio terreno baldio. Kylen e Alícia, fundidos num abraço desesperado, foram varridos pelo turbilhão invisível em direção ao desfiladeiro sombrio.
Embebida no peito do homem, cega para o mundo em colapso, ela só percebeu um caleidoscópio vertiginoso em que tudo girava enquanto os dois capotavam pela escarpa escarpada.
A acústica de seu universo resumia-se ao bombardeio das rochas despedaçadas arrebentando contra as pedras e aos compassos firmes e retumbantes do coração pulsando contra seu peito.
Um pânico inerente de autopreservação a impeliu a esmagar o tecido das roupas do salvador em seus punhos trêmulos.
Um fôlego antes da detonação, Yolanda havia surrupiado um canivete cravado no cadáver próximo.
Enquanto Kylen orbitasse Alícia, um tiro cirúrgico seria uma utopia; mas no corpo a corpo com a lâmina, ela perfuraria a desgraçada se o homem não decidisse executá-la primeiro!
Na sequência, a explosão arrebentou, estripando a sanidade da vilã ao testemunhar a proteção visceral de Kylen sobre Alícia. O ciúme vulcânico consumiu-a de dentro para fora, calcinando suas íris num escarlate delirante.
Devastada pelo estrondo, ela falhou em reagir. A pressão a alçou do solo e tragou seu corpo na direção do precipício voraz.
A descida mortífera prosseguia num ciclo tenebroso, quando subitamente Alícia acusou um freio brusco na gravidade implacável.


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