Ela percebeu a fúria passageira que cruzou o semblante de Yolanda. Pelo visto, a outra também já descobrira que a joia não era a autêntica.
Caso contrário, por que ela puxaria o braço de forma tão brusca, usando a manga para ocultar a pulseira?
Conhecendo a índole de Yolanda, ela faria questão de esfregar a peça em sua cara mais uma vez.
— Por que pararam? — Gustavo interrompeu a marcha.
— Não foi nada — respondeu Alícia em tom blasé, sustentando o olhar gélido e enfurecido de Yolanda. — Só estava admirando o quanto Kylen a trata bem. A pulseira é realmente linda.
Um instinto assassino transbordou no olhar de Yolanda.
Para evitar novos acidentes, Saulo decidiu refazer as amarras, prendendo as mãos de Alícia na frente do corpo. Em seguida, agarrou a corda e a puxou adiante. Os homens de Gustavo espalharam-se formando um perímetro de vigília, alertas a qualquer movimento na mata.
A chuva recente deixara a trilha e o bosque encharcados.
Quanto mais avançavam para o sul, passando o cume da montanha inóspita de onde vieram, mais a vegetação se adensava. O mato alto ao redor já chegava à cintura.
O canto noturno dos pássaros ecoava por entre as árvores.
Alícia fazia uma contagem regressiva silenciosa. Desde o aviso dos cinco minutos dado pelo capanga, pelo menos três já haviam se esvaído. Um estrondo abafado despontou no horizonte; não parecia um trovão, mas sim o zumbido pesado das hélices de um helicóptero.
Seu coração retumbava no peito como tambores de guerra.
Aquele Saulo certamente era exímio no combate corpo a corpo, ou não gozaria de tanto prestígio com Gustavo.
Se fosse com Vinicius, ela não aguentaria nem dois golpes diretos.
Mas, jogando sujo, quem sabe houvesse uma chance. E mesmo que o plano falhasse, Gustavo não a mataria ali, no meio do nada.
— Ai! — De súbito, Alícia caiu de joelhos no chão úmido.
— Ai, ai... Minha barriga... Está doendo muito!
Saulo virou-se com a expressão dura de uma pedra e chutou o sapato dela.
— Levanta!
— Minha barriga está doendo. — Alícia manteve-se encolhida sobre o estômago. Escondida entre as mãos, no entanto, ela segurava firmemente uma lasca afiada de pedra que colhera do chão.
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