Antes, ele havia pedido que ela ficasse no Jardim Sombrio por quinze dias. O tom insinuava que ele daria uma explicação concreta. Embora ela já tivesse deixado a propriedade e a quinzena chegado ao fim, seu entorno permanecia exatamente o mesmo, inalterado.
Mesmo o acordo feito com Narciso havia sido invalidado como se não fosse nada.
Ela nunca mais depositaria sua confiança nele!
— Já que não tenho mais crédito, então não há o que negociar. Eu simplesmente levo você comigo — Kylen repousou a garrafa sobre a mesa e fechou o abraço com mais firmeza, falando no mesmo tom casual de sempre.
— ... Você não entende quando as pessoas falam?! — os olhos de Alícia se estreitaram.
Ignorando-a por completo, Kylen se ergueu com ela nos braços e caminhou em direção ao hall de entrada. Ao chegar à porta, parou, retirando um cachecol de Alícia que estava pendurado no gancho.
Logo em seguida, jogou o cachecol sobre o rosto dela, bloqueando-lhe a boca e os olhos. Como suas mãos estavam presas, Alícia não conseguia arrancar o tecido.
— Eu não quero ir a lugar nenhum com você! Você não me ouviu?!
As palavras cheias de ira saíram abafadas por trás do cachecol.
Kylen entrou no elevador. Baixou os olhos para a mulher em seus braços; a lã fina delineava os contornos de seu rosto. Mesmo através do tecido, sua beleza rara e delicada ainda transparecia de forma deslumbrante.
Apenas quando já estavam acomodados dentro do carro, com ela ainda sentada sobre as pernas dele, o cachecol escorregou. Ao abrir os olhos, cruzou com o olhar negro e gélido de Kylen.
— Vá atrás da sua Yolanda! E não encoste essas suas mãos sujas em mim!
— Quantas vezes vou ter que repetir? Ela não é a minha... — num átimo, as mãos imensas de Kylen envolveram a nuca dela, puxando-lhe o rosto para mais perto; ele abaixou a cabeça, escondeu o rosto da jovem na curvatura de seu pescoço e sua respiração falhou ligeiramente.
— Não é a sua Yolanda. Certo, eu já entendi! Se você diz que não é sua, não é. Ela é de quem for, e o que eu tenho a ver com isso?! — retrucou Alícia com puro desdém.
— Alícia! — os braços de Kylen apertaram-se ainda mais e sua voz rasgou grave.
— Eu vou sair do carro agora mesmo, está me ouvindo?! — ela se contorceu, aplicando todas as suas forças para se desvencilhar do encalço dele.
— Eu não vou para lugar nenhum com você!
Porém, todos os seus gritos foram em vão. Um segurança assumiu o volante e deu a partida no veículo.
No mesmo instante em que ela se virou, a porta do quarto foi estourada com violência pelo lado de fora!
— Sra. Arantes, são os homens da Família Simões! — o segurança que ficava de guarda com ela irrompeu no quarto, em pânico.
— Medo de quê? Nós temos os seguranças da Família Lourenço para... — a expressão de Yolanda permaneceu inabalável, e ela falou sem se exaltar.
— A senhora não sabe?
O guarda-costas lançou um olhar veloz para a babá, que gaguejava e se recusava a abrir a boca. Não era de admirar que Yolanda continuasse na completa ignorância.
— Os seguranças da Família Lourenço foram retirados do posto no momento em que a senhora foi transferida para a sala de emergência.
Assim que as palavras escaparam da boca do homem, o rosto de Yolanda enrijeceu feito pedra.
Haviam sido retirados...
Seria possível que Kylen estivesse realmente lavando as mãos para ela?!

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