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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 340

— Seu psicopata! — xingou Alícia, enfurecida.

Entretanto, o vizinho dela nunca parava em casa. Até onde ela se lembrava, jamais havia cruzado com ele. Como era possível que alguém abrisse a porta para Kylen no meio da madrugada?

E então, uma ficha caiu.

— O apartamento do lado é seu?

Ela fitou o homem que caminhava em sua direção com absoluta incredulidade, dando um passo trôpego para trás.

— Você fez isso para me vigiar? — questionou ela com os olhos marejados, sem saber se a raiva era fruto da constatação tardia ou se o desespero pelo controle implacável do homem era o que falava mais alto.

Ela se virou de supetão, mas havia se esquecido de que acabara de empregar toda a sua força para colocar o armário ali e trancar a porta, e agora precisaria empurrá-lo de volta.

Kylen a observou. Seu rosto estava rubro de ansiedade e fúria, os olhos avermelhados enquanto ela se matava para empurrar um móvel quase tão alto quanto ela.

Com o semblante sombrio, ele avançou a passos largos. Agarrou o braço dela, puxando-a bruscamente para si, enquanto usava a outra mão livre para arrastar o canto do armário para longe. Depois, abaixou os olhos para a mulher cheia de indignação e humilhação em seus braços.

— Você não tem força nem de uma mosca. Por que insiste nisso?

— Vai lá procurar a sua Yolanda! E, por favor, não apareça mais na minha frente! — Alícia o encarou e, de repente, desistiu de se debater.

— Ela não é minha Yolanda — Kylen cravou o olhar escuro e penetrante nos olhos dela.

— E quem se importa com você?! — Alícia soltou uma risada de escárnio.

— Fale direito.

— Não gosta do que ouve, é? Vá te catar! Seu desgraçado! Seu filho da mãe! — Alícia levantou a cabeça para encará-lo.

— Cala a boca! — Kylen ergueu a mão, apertando-lhe o queixo com firmeza, fazendo com que ela só conseguisse balbuciar sons ininteligíveis.

Mas, mesmo assim, a boca dela continuava cuspindo insultos chulos!

A respiração de Kylen ficou pesada. Ele virou o rosto e varreu com os olhos a mala largada na porta do quarto.

— Kylen.

Com o som de seu próprio nome, a mão de Kylen apertou a cintura dela com mais possessividade. Entretanto, Alícia não fez qualquer menção de resistir.

— Eu já estou exausta. Não quero mais esse vai e vem. Não faço ideia do que se passa na sua cabeça, mas não podemos simplesmente ter uma conversa franca? — Alícia falou com uma serenidade atípica.

— O que você quer conversar? — ele aproximou a garrafa dos lábios dela mais uma vez.

O olhar de Alícia vacilou por um instante. O vapor da água quente embaçou-lhe a visão. Sem lutar contra, abaixou o rosto e tomou um gole de água.

O silêncio apaziguador e dócil dela fez com que o olhar de Kylen se aprofundasse em tons lúgubres.

— Venha viajar comigo por dois dias. Qualquer coisa que você quiser conversar, eu vou ouvir — o homem declarou com a voz densa assim que recolheu a garrafa, logo após Alícia tomar um gole, sem sequer dar-lhe a chance de responder.

— Como você tem a coragem de dizer isso! Você acha mesmo que ainda tem algum crédito comigo? — a mulher em seus braços soltou uma risada irônica.

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