Kylen acariciou a cabeça redondinha da pequena criança. Demorou um bom tempo até que ele se levantasse e saísse da Unidade de Terapia Intensiva.
— Ainda não há nenhuma informação sobre uma medula compatível?
Os passos de Kylen pararam do lado de fora da UTI.
A porta se fechou atrás dele. Aquele pequeno mundo fora o único lugar onde a criança vivera ao longo do último ano.
— O banco de medula é atualizado diariamente, mas ainda não encontramos nenhuma que seja compatível com o Cofrinho — o médico assumiu uma expressão pesada.
Ele observou o olhar sombrio de Kylen, sentindo um aperto de compaixão no peito.
Kylen olhou por cima do ombro para a porta já fechada.
Cofrinho era o apelido da criança.
Era um fim de semana. O outono em Cidade Linvar era muito mais agradável do que em outras cidades. Alícia estava recostada em uma espreguiçadeira no Jardim Sombrio; naquela época, ela já estava no sexto mês de gestação.
Não havia ninguém ao redor.
— Bebê, seu apelido vai ser Cofrinho. A mamãe quebrou a cabeça para pensar nisso, viu? — ela dissera com um sorriso, de olhos fechados, aproveitando o frescor da brisa outonal, com as mãos repousando suavemente sobre a barriga arredondada.
Ele, que caminhava da casa em direção ao jardim, parara, franzindo levemente o cenho.
O filho dele, de Kylen, se chamaria Cofrinho?
Não era um apelido bonito. Se ela tinha quebrado a cabeça para chegar a isso, para onde havia ido toda aquela inteligência dela?
No entanto, trazida pela brisa de outono, a voz cristalina e sorridente dela ecoou:
— Moeda no cofrinho, fortuna no caminho!
— Ai, meu bebê, você vai ser tão rico!
A voz brincalhona e cheia de expectativas dela dissipou-se das lembranças.
— Mandem alguém monitorar também os bancos de medula no exterior — Kylen trouxe a mente de volta ao presente e murmurou com voz grave.
— Sim, Diretor Lourenço.
Sentado no carro, acendeu um cigarro, abaixou a janela e pegou um celular no console. Desbloqueou a tela e abriu o WhatsApp.
A última mensagem fixada era das dez da manhã.
Alícia: [Lúcio, hoje não me sinto bem, não vou poder ir cozinhar para você. Posso pedir comida de um restaurante para entregar aí?]
A antepenúltima mensagem havia sido enviada por ele: [Não tem problema, estou fora resolvendo umas coisas nestes dias.]
Alícia: [Você não está em casa? Então tome cuidado com o machucado na sua perna.]
[Uhum.]
Kylen guardou o celular, olhou para o apartamento no andar de cima, que ainda estava com a luz acesa, e depois conferiu as horas.
Meia-noite. Por que ela ainda não estava dormindo?
Ele apagou imediatamente o cigarro do qual sequer dera um trago, abriu a porta e desceu do carro.
Mas, assim que ele colocou os pés fora do veículo, a luz lá no alto se apagou.

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