Foi muito leve.
Muito suave.
E extremamente irônico!
Alícia lembrou-se da vez em que ela e Kylen ficaram presos no elevador, e quando a cabine despencou, ela foi acolhida em seus braços. Ele também havia abaixado a cabeça e beijado sua testa daquela forma para acalmá-la.
Naquela época, aquele beijo de fato a tranquilizou.
Mas agora, este beijo era como uma faca cega cortando a carne.
Um corte que a deixava sangrando e em carne viva.
— Será que você pode parar de me dar nojo?
Kylen olhou profundamente para os olhos dela, cheios de aversão. Com o maxilar tenso, de repente levantou a outra mão e cobriu os olhos de Alícia. — É melhor você continuar de olhos fechados.
— Por que não diz logo que seria melhor se eu fechasse os olhos para sempre? — Alícia perdeu completamente a razão, provocada por aquela atitude calma, porém obsessiva, dele.
As veias saltaram no pescoço de Kylen. — Que bobagem é essa agora?
Vinicius, que estava dirigindo, abaixou a cabeça para olhar a tela iluminada do celular. Ele verificou o identificador de chamadas e deslizou o dedo pela tela.
Seja lá o que a pessoa do outro lado tenha dito, ele não demonstrou nenhuma reação. Apenas murmurou um "hum" e desligou.
— Diretor Lourenço, os resultados de lá saíram. Há um problema.
Quando Narciso recebeu a ligação de Kylen, ele já estava a caminho do Jardim Sombrio, pronto para subir a montanha pessoalmente e trazer Alícia de volta.
Assim que atendeu, ouviu a voz fria e inconfundível do homem do outro lado da linha: — Eu a levarei de volta para a Baía Azul Serena.
Narciso não disse uma única palavra. Desligou o telefone e ordenou que Hélder dirigisse de volta para a Baía Azul Serena. Ao entrar na casa, de fato, viu Alícia deitada na cama, bem coberta pelo edredom.
O aquecimento do quarto estava agradável, e havia um copo de água morna na mesa de cabeceira.
Como Alícia estava deitada de lado, ele não conseguiu ver seu rosto ao entrar. Ao dar um passo à frente, ouviu um leve som de alguém fungando no silêncio do quarto.
Passos se aproximaram no corredor.
— Diretor Lourenço! — Ao ver Kylen, o médico que acabara de realizar todos os exames em Yolanda caminhou até ele com uma expressão grave.
Com um tom pesado, ele anunciou: — A Sra. Arantes foi envenenada.
Assim que o médico terminou de falar, Yolanda, que estava recostada na cama, de repente vomitou outro gole de sangue!
Os lençóis brancos, a mesa de cabeceira e o chão ficaram marcados pelo sangue que pingava, formando uma cena assustadora.
— Kylen... — Yolanda olhou para ele com o rosto contorcido de dor, estendendo a mão com dificuldade. Com a boca cheia de sangue, sua voz saiu embargada: — Estou me sentindo tão mal, Kylen... Dói tanto.
No entanto, Kylen permaneceu parado na porta da sala, sem dar um único passo à frente.
E sem demonstrar a menor sombra de pena.
Ele apenas observou Yolanda vomitando sangue com um olhar frio como gelo.

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