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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 332

Ao retornar ao quarto, Narciso percebeu que a porta estava escancarada.

— O que aconteceu? — Ele apressou o passo, alarmado.

O médico que o acompanhava de perto e Hélder, que estava à sua frente, rapidamente se adiantaram para ampará-lo.

— Narciso, a Sra. Serra foi levada pelo Kylen. — O rosto de Hélder transbordava culpa, e ele o encarava com um olhar complexo. — Sinto muito, Narciso, eu...

Narciso puxou o ar bruscamente, sentindo o ferimento no abdômen latejar de dor. Olhou para a cama vazia no quarto. Ele mal tinha dado as costas e Kylen já havia seguido o rastro até ali!

— Você se machucou? — Ele observou Hélder, imerso em autoculpa, e tentou conter a própria fúria.

Ao escutar a preocupação genuína de Narciso com o seu bem-estar num momento como aquele, o peso na consciência de Hélder só aumentou.

— Não.

Desde o momento em que vira Kylen despontar, havia ficado em posição de alerta. Ele já desconfiava de que os problemas da Sra. Serra tivessem a ver com aquele sujeito, e de maneira alguma permitiria que ele voltasse a se aproximar dela.

O problema foi que Vinicius havia surgido no momento mais crítico.

— Considere isso um favor pessoal. — A voz de Vinicius ecoara de modo pesado de repente.

Um apelo com tanto peso em suas palavras fez com que Hélder vacilasse por um breve segundo; ele jamais pensou que alguém com a postura inabalável de Vinicius fosse ceder e se curvar a ele voluntariamente.

Mesmo assim, se colocasse a moral de Vinicius ao lado da segurança da Sra. Serra, ficava óbvio quem tinha mais importância!

Mas foi naquele exato milésimo de segundo de hesitação que Vinicius agiu, sem aplicar muita força física e sem provocar um único arranhão, ele foi completamente imobilizado.

...

Um Bentley negro trafegava de forma impecável pela rodovia.

Sem chance alguma de fuga, Alícia encontrava-se confinada e firmemente acorrentada nos braços de Kylen. A mão robusta do homem enlaçava a sua cabeça, comprimindo o seu rosto com força contra o peito dele. O pulsar intenso do coração de Kylen ecoava nos ouvidos de Alícia, fazendo-a crer que ia enlouquecer de vez.

— Para onde diabos você acha que está me levando? — indagou ela em tom de escárnio.

— Te levando para casa. — Quando o homem abriu a boca, as vibrações do peito dele reverberaram nos tímpanos de Alícia.

Por um relance, um pingo de desconforto cintilou no semblante de Alícia. Casa?

Que casa...

A casa dela?

Será que ela havia enlouquecido, ou o doente da história era ele?!

— Quem disse que você não tem casa? — Com a ponta áspera do polegar, Kylen deslizou carinhosamente sobre a lágrima que irrompera dos olhos dela. Com o negrume dos seus olhos submerso numa neblina sinistra, sussurrou em voz contida.

Num gesto sorrateiro, baixou a cabeça e apoiou o queixo no dela; a penugem por fazer raspando suavemente contra a testa de Alícia.

— Fica comigo esta noite. — As batidas do coração e as sílabas entoadas atingiram os ouvidos de Alícia com uma intensidade dolorosa.

Ao término do pedido, o seu abraço ficou ainda mais rígido em torno dela.

Por alguma razão absurda, uma áurea de cansaço extremo que beirava a... vulnerabilidade parecia transbordar dele, contrastando drasticamente com a máscara imutável do seu dia a dia.

No entanto, não permitiria tropeçar na mesma cilada e mergulhar a si própria num abismo de vexames mais uma vez!

— Você já não tem a Yolanda? Vá chamar ela para te fazer companhia!

— Eu só quero a sua. — Kylen não cedeu um centímetro, o seu polegar finalizou o rastro de lágrimas, ajustando em seguida o agasalho que a envolvia, num fôlego frio de teimosia cega.

Uma onda sufocante de raiva desestruturou a racionalidade de Alícia; em desespero, tentou atirar a cabeça contra o maxilar dele, mas de repente sentiu o toque sutil e ameno de seus lábios pousarem contra a própria testa.

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