— Aguente mais um pouco. — A voz grave do homem soou levemente rouca.
Naquele momento, Alícia havia perdido toda a razão. Ela não ouvia o que ele dizia, não sabia onde estava e sequer reconhecia o homem à sua frente.
Sua mente estava dominada pela necessidade de alívio. Era como se um incêndio devorasse seu ventre, e ela precisava desesperadamente de algo para apagar as chamas.
Ela só queria se sentir melhor.
O desejo que ameaçava despedaçar seu corpo a deixava sedenta por libertação. Ao tocar no casaco frio do homem, o fogo em seu interior pareceu arder ainda mais.
Ela debruçou-se sobre o encosto do banco do motorista e, com os dedos ardentes, deslizou pelo colarinho dele...
De repente, uma mão grande e de juntas proeminentes pressionou fortemente a sua através da roupa.
As pontas dos dedos daquela mão tremiam. A força da sua contenção parecia prestes a esmigalhar os próprios ossos.
Com a mão imobilizada, as ondas de calor no corpo de Alícia não encontravam rota de escape. Ela se lançou à frente e abocanhou o lóbulo da orelha do homem.
Ela ofegou, com o hálito quente: — Eu te pago... eu tenho muito dinheiro...
O formigamento no lóbulo da orelha espalhou-se por todo o corpo dele. Os músculos de seu pescoço retesaram-se como as cordas de um arco prestes a se romper. Ele prendeu a respiração e pisou fundo no acelerador!
O carro entrou na boca de um túnel abandonado e parou. Ele chutou a porta, desceu e abriu a traseira, transferindo Alícia em seus braços para o banco de trás de um Bentley preto estacionado ao lado.
Ao mesmo tempo, o Classe G foi levado por outra pessoa.
A porta do Bentley se fechou com força. O homem arrancou a máscara e o boné.
Um rosto rígido, com os cantos dos olhos ruborizados, foi totalmente revelado!
A palma abrasadora de Kylen envolveu com força a cintura fina de Alícia. Ele abaixou a cabeça e sugou com avidez seus lábios entreabertos que gemiam sem parar, enquanto sua língua invadia a boca dela de forma dominante.
— Hum...
Ela não queria mais ter nenhum tipo de envolvimento com aquele homem!
Para o seu desespero, porém, o efeito da droga havia atingido o ápice, e o desejo voltou a tomá-la como um tsunami.
Suas mãos debateram-se sem rumo até tocarem a porta do carro. Seus dedos vasculharam o compartimento lateral, agarrando um canivete suíço gélido.
Kylen rasgou a barra de seu vestido, erguendo-a para o seu colo, mas de repente sentiu um cheiro de sangue cada vez mais intenso pairando no ar.
Com a palma da mão firmemente encostada nas costas de Alícia, ele franziu o cenho e olhou para baixo, procurando a origem do odor metálico.
O sangue gotejava incessantemente da palma branca e macia de Alícia.
Banhada em suor, a névoa em seus olhos se dissipou, dando lugar à frieza. Ela encarava o homem de olhar rubro, afogado na luxúria, com uma chama viva a queimar na profundeza de suas pupilas negras.
Com a voz áspera, ela ordenou friamente: — Me solta.

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