— Alícia... — Alcides abriu a boca ensanguentada, fixando um olhar rubro e selvagem na figura sobre a cama.
Como uma fera agonizante, ele se debateu, tentando avançar naquela direção.
No entanto, antes que pudesse terminar de dizer o nome de Alícia, a mão vigorosa que agarrava seu colarinho apertou o tecido com violência, erguendo-o do chão para, no segundo seguinte, arremessá-lo brutalmente contra o piso.
Alcides ouviu o estalo de seus próprios ossos se partindo. Seus olhos ficaram injetados de sangue e, da sua garganta, escapou apenas um gemido sufocado. Com as cordas vocais inundadas de sangue, o nome "Alícia" não pôde ser proferido.
No andar de baixo, Hélder havia trazido homens para isolar toda a mansão. Quando Nelso Simões entrou no quarto, deparou-se de imediato com Alcides no canto: à beira da morte, com o rosto ensanguentado, pulsos fraturados e uma perna sob o peso de uma bota de alpinismo.
O agressor era um homem alto e robusto, usando um boné e uma máscara pretos.
Ele parecia um deus da morte que acabara de rastejar do inferno. Sua aura implacável e intenção assassina cobriam o ambiente como gelo, fazendo com que qualquer um sentisse um frio na espinha assim que cruzasse a porta.
Aquele homem, surpreendentemente, havia chegado antes deles.
No quarto mergulhado em um silêncio sepulcral, ouviu-se o gemido contido e agonizante de uma mulher, tão baixo e suave que roçava o coração como uma pena.
Nelso desviou o olhar e observou a mulher na cama, com o tronco e a cabeça cobertos pelo cobertor. O corpo dela se contorcia em agonia, enquanto seus pés lisos e delicados se entrelaçavam, esfregando-se contra os lençóis.
Aquela cena...
Os olhos de Nelso, sempre plácidos como um poço antigo, piscaram levemente. Ele deu passos largos e estava prestes a erguer o cobertor.
De repente, uma mão envolta em uma luva preta bloqueou seu caminho, impedindo seu gesto.
Nelso ergueu os olhos e fitou o homem com uma expressão indiferente.
Lúcio sequer o encarou. Em vez disso, arrancou a luva manchada de sangue, jogando-a no chão. Avançou, tomou Alícia nos braços junto com o cobertor e girou os calcanhares, marchando em direção à porta.
Hélder chegou apressado ao topo da escada. Ao ver Lúcio carregando alguém, adiantou-se, tenso: — Irmão J, o que aconteceu com a Sra. Serra?
Nelso respondeu com neutralidade: — Ligue para Narciso e diga que ela está a salvo.
...
No banco do motorista do Classe G em alta velocidade, o olhar do homem mascarado estava sombrio e implacável. Subitamente, uma mão macia e delicada tocou o seu ombro.
— Hum... que angústia...
Os músculos do homem enrijeceram-se por completo.
Ele olhou pelo retrovisor; as veias saltavam em suas mãos que apertavam firmemente o volante.
A mulher ergueu-se do banco. O cobertor que a envolvia escorregou e o vestido tomara que caia estava prestes a deslizar pelo seu corpo devido aos seus movimentos. Sua pele nua exibia um rubor sedutor e febril.
Seus olhos estavam enevoados. Ela ofegava com os lábios entreabertos, soltando pequenos gemidos, enquanto algumas mechas de seus longos cabelos soltos mergulhavam na fenda profunda do decote.

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