— Já adicionei. — Alícia balançou o celular. Ela havia contatado a mãe de Hera e pago os honorários antes mesmo de entregar a carta de demissão.
— E por que não me disse que já tinha o WhatsApp dela?
— Fiquei tímida por ser a minha primeira vez conhecendo a sogra. — Alícia a provocou de propósito.
— Ficou louca? Que história é essa de conhecer a sogra! — As orelhas de Hera ficaram vermelhas.
Durante o almoço, ao ouvir Alícia mencionar o processo de divórcio para sua mãe, Hera lançou-lhe um olhar carregado de sentimentos mistos.
Após a refeição, as duas voltaram para a emissora.
— Eu achava que o Kylen te tratava bem. Daquela vez que fomos beber no Ébrio da Noite e você ficou bêbada, sendo sincera, o olhar dele ao te levar embora parecia bem gentil. — Hera finalmente perguntou no elevador.
— Que falso! — Ela continuou, indignada ao se lembrar daquilo.
— Não fica brava, não, calma. — Alícia se divertiu com o jeito tagarela da amiga e a abraçou.
Ela acariciou os cabelos de Hera.
Hera suspirou, sentindo pena de Alícia.
— No nosso primeiro encontro, você ficou bêbada, abraçou um poste e começou a se declarar. Na verdade, eu te ouvi chamar o nome do Kylen e depois chamá-lo de irmão. Na hora, achei que você fosse só uma fã obcecada, não imaginava que você tinha crescido na Família Lourenço e que ele era o seu "irmão".
O choro de Alícia daquela vez havia sido de tanta angústia.
Aquela cena nunca saiu da cabeça de Hera; ela jamais pensou que alguém sofrendo por amor pudesse transparecer uma tristeza tão profunda.
O quanto ela devia amar Kylen.
Foi logo no início do casamento. Ela e Kylen eram recém-casados morando sob o mesmo teto, mas dormiam em quartos separados. Ela já sabia que Kylen havia sido forçado a aceitar aquele matrimônio.
Mas a realidade era cruel demais, e ela usou o álcool para desabafar.
Ela ainda se lembrava de quando voltou para casa naquela noite. Kylen, que sempre chegava de madrugada, havia chegado antes dela. Ele estava sentado no sofá, lançou-lhe um olhar profundo e, em seguida, subiu para o quarto sem dizer uma única palavra.
— Sente algum arrependimento? — A voz de Hera ecoou no instante em que as portas do elevador se abriram.
Arrependimento...
— Olá, eu vim retirar as cinzas dos meus pais. Onde posso resolver a burocracia?
Depois de se informar sobre o procedimento, Alícia recolheu as urnas e voltou para o carro.
...
Jardim Sombrio.
O prédio principal precisaria ser reconstruído após o incêndio, o que levaria muito tempo, então Kylen havia se mudado para outro bloco da propriedade.
No escritório, Kylen cuidava de alguns documentos quando Vinicius bateu à porta e entrou.
— Diretor Lourenço, a senhora levou as cinzas de Ismael Serra e da esposa para a praia. — Vinicius aproximou-se da mesa com uma expressão indecifrável.
Kylen apertou a caneta entre os dedos abruptamente, os lábios finos comprimidos em uma linha reta.
— Ela espalhou todas as cinzas no mar. — Vinicius fez uma pausa e continuou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!