Os guardas ocultos voltaram a se esconder silenciosamente ao redor do casarão. Kylen subiu os degraus e os guarda-costas abriram a porta fechada à sua frente.
Uma rajada de vento frio invadiu o ambiente, agitando as pesadas cortinas que pendiam do outro lado da sala.
Junto à janela, Yolanda, que lia um livro, ergueu a cabeça bruscamente. Sua mão estava envolta em gaze, resultado de um arranhão sofrido ao cair da cadeira de rodas naquela manhã.
Ao ver Kylen, uma expressão de pavor residual surgiu em seu rosto, e ela disse com a voz embargada:
— Kylen, que bom que você chegou!
Aquele Nelso tinha seus méritos, afinal, conseguira encontrar aquele lugar.
Sua cadeira de rodas deslizou automaticamente até a frente de Kylen, e ela continuou:
— Com toda aquela confusão agora há pouco, pensei que seria levada pelo Nelso.
— Quando poderei voltar para a Mansão Ocidental? Embora esta casa seja bonita, prefiro o ambiente de lá.
Sentindo-se inquieta, ela acrescentou:
— Receio que vou estranhar a cama esta noite.
Ao observar o rosto gélido de Kylen, a alegria na expressão de Yolanda desvaneceu-se aos poucos. Sem entender, ela perguntou:
— Kylen, o que houve com você...
— Já acabou? — A voz de Kylen, indiferente e fria, interrompeu-a como um balde de água gelada.
O rosto dela endureceu levemente.
— Eu...
— Você não faz ideia de como o Nelso conseguiu encontrar este lugar? — A voz do homem era impassível.
No entanto, aquelas palavras provocaram uma tempestade no coração de Yolanda.
Ela ergueu a cabeça bruscamente, encontrando o olhar distante de Kylen. Abriu a boca, tentando se explicar:
— Eu não...
— Não o quê? — Kylen retrucou friamente. — Não revelou o seu rastro?
Ele observava Yolanda diante de si. Jamais imaginara que o estado psicológico dela chegaria a tal ponto; aquilo ia muito além de uma simples atuação.
Medo?
Yolanda ia dizer mais alguma coisa, mas foi interrompida pelas palavras cruéis de Kylen:
— Pare de tentar usar a automutilação ou se colocar em perigo para me fazer vir até você. Seja cortando os pulsos ou atirando em si mesma, isso perde a graça quando se repete.
A expressão dela mudou.
— Como você sabe...
— Seu ferimento é óbvio. — Kylen respondeu com indiferença.
Naquele dia, ao sinalizar para a governanta afastar a gola de Yolanda e ver o ferimento de bala em seu ombro, ele percebeu imediatamente: o tiro fora disparado à queima-roupa.
Com a mobilidade reduzida na cadeira de rodas, se um criminoso tivesse atirado de tão perto, não teria apenas ferido, mas poderia ter tirado a vida dela.
Yolanda quase se esquecera de que Kylen fora militar. Desde a infância, na casa de seu avô materno, ele manuseara diversos tipos de armas. Ele conseguia distinguir com um único olhar se um tiro fora disparado de perto ou de longe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!