Seu olhar recaiu sobre o emblema no peito deles. Eram a guarda secreta de Kylen.
Eram homens selecionados rigorosamente pela família materna de Kylen e treinados com exaustão; a capacidade de combate deles não se comparava à de seguranças comuns.
Não esperava que Kylen tivesse posicionado essa guarda secreta aqui.
— Diretor Simões, vamos agir? — perguntou o assistente.
Nelso esperou silenciosamente. O som de motores de carros se aproximando chegou aos seus ouvidos. Ele desviou o olhar e disse pausadamente:
— Kylen chegou.
O assistente piscou, olhou para trás e viu vários carros pretos vindo na direção deles.
Os carros pararam atrás da frota deles.
A porta se abriu. Kylen, todo de preto, desceu do veículo. Seus olhos escuros fundiam-se com o frio da noite, varrendo com um olhar límpido e gélido os carros que bloqueavam a entrada, com uma expressão indiferente e distante.
Dentro do carro, o assistente de Nelso sentiu imediatamente a pressão emanando daquela figura; era a aura de alguém que ocupou posições de poder por muito tempo.
Nelso abriu a porta e desceu, virando-se para encarar o homem à sua frente, alto e ereto como um cipreste, cuja presença se tornava cada vez mais imponente.
— Kylen, quanto tempo.
O avô Simões e o avô Lourenço eram bons amigos. Quando o avô de Kylen ainda era vivo, Kylen e Nelso, que tinham idades próximas, chegaram a conviver na infância.
Mas eram apenas um pouco mais familiares do que estranhos. Kylen sempre foi frio e não gostava de se aproximar das pessoas. Ao longo dos anos, os únicos que se aproximaram dele foram Enrique e Julian.
— Quanto tempo. — Kylen disse friamente. — O que você faz aqui tão tarde?
Diante do homem que fingia não saber, Nelso disse com tranquilidade:
— A Yolanda contratou um assassino e feriu o Narciso. Como irmão mais velho do Narciso, naturalmente vim buscar justiça para ele.
— Então você quer tirar alguém das minhas mãos? — Kylen deu um riso de escárnio. Sob a luz fria do poste, seus traços escuros pareciam ainda mais profundos e marcantes.
Ele olhou para os carros que Nelso trouxera.
— Considere hoje apenas como um cumprimento pelo meu retorno ao país. Eu certamente vou encontrar a Yolanda.
Ele se virou e voltou para o carro.
O comboio deixou o casarão um após o outro.
O assistente olhou pelo retrovisor e, lentamente, desviou o olhar:
— Diretor Simões, a Yolanda realmente não estava lá dentro?
— Estava. — disse Nelso calmamente.
— Então por que o senhor...
O tom de Nelso foi cheio de significado:
— É um desejo do Narciso. Além disso, não é garantido que sairíamos ilesos. Nós não conhecemos as cartas na manga do Kylen, assim como o Kylen não conhece as nossas. O confronto físico não era o objetivo desta viagem.

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